Tabela de glosas: códigos, significados e como usar

Tabela de glosas: códigos, significados e como usar

Tabela de glosas: códigos, significados e como usar

A tabela de glosas define os códigos que as operadoras usam para negar ou reduzir pagamentos. Conhecer cada código é o primeiro passo para corrigir erros antes do envio e contestar negativas com agilidade.

Rivio

Redação

20 de abr. de 2026

5 minutos

20 de abr. de 2026

5 minutos

As glosas hospitalares chegam ao setor de faturamento na forma de códigos numéricos. Sem saber o que cada código significa, a equipe perde tempo tentando entender a negativa, erra na contestação ou simplesmente aceita uma perda que poderia ser revertida.

Em 2024, os hospitais privados brasileiros tiveram R$ 5,8 bilhões em pagamentos retidos por operadoras via glosas. A maior parte foi revertida após contestação, mas esse processo consome tempo das equipes de faturamento, o que cria um custo indireto. Conhecer a tabela de glosas no detalhe é pressuposto básico para a gestão do ciclo de receita.

O que é a tabela de glosas?

A tabela de glosas integra o Padrão TISS (Troca de Informação em Saúde Suplementar), estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula o padrão eletrônico de comunicação entre prestadores de serviços de saúde e operadoras de planos de saúde. Ela define os códigos e motivos que as operadoras usam para negar, reduzir ou ajustar o pagamento de contas médicas.

Na prática, funciona como um vocabulário comum entre hospitais e convênios. Quando uma operadora aplica uma glosa, informa o código correspondente no relatório de pagamento. O hospital localiza aquele código na tabela, entende exatamente o que foi questionado e decide a melhor resposta: corrigir, complementar a documentação ou abrir recurso.

Sem esse vocabulário compartilhado, cada negativa exigiria uma negociação individual. Com ele, o processo ganha velocidade e objetividade.

Principais códigos da tabela de glosas

A seguir, os códigos mais frequentes em hospitais e clínicas, com o significado de cada um, exemplos práticos e orientações de prevenção e contestação.

Glosa 1402 — Procedimento não autorizado

O procedimento não foi autorizado pela operadora, seja por ausência de autorização prévia, seja por negativa administrativa.

Exemplo: cirurgia eletiva realizada sem autorização prévia ou com pedido negado pela operadora. A cobrança é glosada por falta de senha.

Prevenção: confirmar a autorização antes de qualquer procedimento eletivo. Registrar o número da senha na guia e arquivar o comprovante vinculado ao atendimento.

Contestação: se o procedimento era de urgência ou emergência, apresentar documentação clínica que comprove o caráter emergencial.

Glosa 1714 — Não autorizado pela auditoria

O procedimento foi analisado pelo auditor da operadora e considerado não conforme com os protocolos clínicos ou as diretrizes de cobertura.

Exemplo: pedido de internação analisado pela auditoria e negado por não apresentar indicação clínica suficiente nos documentos enviados.

Prevenção: enviar documentação clínica completa desde o primeiro contato: histórico do paciente, laudos, evolução médica e justificativa técnica clara para o procedimento solicitado.

Contestação: abrir recurso com documentação complementar, incluindo protocolos clínicos atualizados, referências de sociedades médicas e parecer do médico assistente sobre a necessidade do procedimento.

Glosa 1818 — Senha vencida ou inválida

A autorização foi obtida, mas o procedimento foi realizado fora da validade da senha ou com senha vinculada a outro procedimento ou data.

Exemplo: cirurgia eletiva autorizada com validade de 30 dias, realizada no 32º dia. A operadora glosa por senha vencida.

Prevenção: monitorar a validade das senhas de autorização e solicitar revalidação quando houver alteração de cronograma. Registrar no prontuário qualquer mudança de data com justificativa clínica.

Contestação: quando a mudança de data foi motivada por condição clínica do paciente, apresentar a justificativa médica para o reagendamento. Em muitos casos, a operadora aceita a contestação com evidência documental.

Glosa 1850 — Procedimento em duplicidade

Detecta-se a cobrança do mesmo procedimento mais de uma vez, normalmente no mesmo dia e para o mesmo profissional, sem justificativa que diferencie as ocorrências.

Exemplo: duas guias com o mesmo código de exame lançadas no mesmo dia para o mesmo paciente e profissional, sem indicação de horários distintos ou de bilateralidade.

Prevenção: informar data e hora exatas de cada lançamento. Para procedimentos bilaterais, indicar a lateralidade (direito/esquerdo). Quando dois procedimentos iguais forem realizados por indicação clínica distinta, justificar cada um separadamente.

Contestação: demonstrar que as duas ocorrências se referem a atendimentos distintos, com horários, profissionais ou indicações diferentes.

Glosa 3052 — Erro em documentação TISS

A conta apresenta inconsistências na documentação exigida pelo padrão TISS: ausência de laudos, falta de assinatura, registro clínico incompleto ou incompatibilidade entre a solicitação e o procedimento realizado.

Exemplo: guia de SADT enviada sem laudo médico que justifique o exame solicitado. A operadora glosa por documentação insuficiente.

Prevenção: criar checklists de documentos obrigatórios por tipo de atendimento e conferir antes do envio. Garantir que prontuário e guia sejam consistentes entre si.

Contestação: reapresentar a conta com a documentação corrigida ou complementada dentro do prazo estabelecido pelo contrato com a operadora.

Glosa por item não coberto

Cobrança de material, medicamento ou procedimento fora da cobertura contratual, sem justificativa de necessidade clínica que ampare a exceção.

Exemplo: prótese ortopédica cobrada com código fora da lista padrão da operadora, sem parecer do cirurgião sobre a especificidade do caso.

Prevenção: verificar a cobertura de cada item antes do procedimento, especialmente em cirurgias com OPME. Quando não houver alternativa adequada, documentar a justificativa técnica antes do envio.

Contestação: apresentar parecer do médico responsável sobre a ausência de alternativa terapêutica, com referência às diretrizes clínicas que sustentam a indicação.

Resumo dos principais códigos

Código

Motivo

Ação prioritária

1402

Procedimento não autorizado

Verificar autorização prévia; contestar com documentação de urgência se aplicável

1714

Não autorizado pela auditoria

Complementar documentação clínica; abrir recurso com protocolos atualizados

1818

Senha vencida ou inválida

Monitorar validade das senhas; revalidar antes do vencimento

1850

Duplicidade de procedimento

Informar horários e lateralidade; justificar múltiplas ocorrências

3052

Erro em documentação TISS

Conferir checklist antes do envio; reapresentar com documentação correta

Item não coberto

Material ou procedimento fora da cobertura

Verificar cobertura antes do ato; documentar necessidade clínica

Como usar a tabela de glosas no dia a dia

Conhecer os códigos é o primeiro passo. O segundo é transformar esse conhecimento em processo:

1. Classificar antes de agir. Ao receber o relatório de glosas, separar as procedentes das indevidas. Glosas procedentes devem ser corrigidas internamente para os próximos envios. Glosas indevidas devem ser contestadas com documentação sólida dentro do prazo contratual.

2. Mapear por operadora. Cada operadora tem padrões de auditoria distintos. Registrar quais códigos aparecem com mais frequência em cada convênio permite identificar exigências específicas e ajustar os processos de faturamento de forma segmentada.

3. Alimentar a prevenção. O histórico de glosas é a principal fonte de inteligência para reduzir a taxa futura. Cada código recorrente indica um processo interno que precisa ser corrigido: um campo mal preenchido, uma etapa de autorização ignorada, uma documentação que sempre chega incompleta.

4. Manter a tabela atualizada. A ANS revisa o padrão TISS periodicamente. Novos códigos podem ser adicionados e a descrição de existentes pode ser alterada. Sistemas de faturamento desatualizados interpretam glosas com base em versões antigas, gerando erros na contestação.

Tabela de glosas bem usada protege o faturamento

A tabela de glosas é o mapa que indica onde o dinheiro está sendo retido e por quê. Equipes que dominam os códigos identificam padrões mais rápido, contestam com mais precisão e constroem um histórico que fortalece as negociações contratuais com as operadoras.

A Rivio usa inteligência artificial para automatizar esse ciclo: identifica os códigos de glosa recebidos, cruza com os registros clínicos, gera recursos fundamentados e acompanha o retorno de cada contestação. Da auditoria ao recebimento, sem retrabalho manual.

FAQ — perguntas frequentes sobre a tabela de glosas

O que é a tabela de glosas?

É o componente do Padrão TISS que define os códigos numéricos usados pelas operadoras para identificar o motivo de cada negativa ou ajuste de pagamento. Funciona como um vocabulário comum entre hospitais e planos de saúde.

Toda glosa pode ser contestada?

Não. Glosas procedentes, em que o erro ou a falta de cobertura é confirmada, devem ser aceitas e corrigidas internamente. Glosas baseadas em documentação incompleta ou em interpretações questionáveis podem e devem ser contestadas com recurso fundamentado.

Qual o prazo para contestar uma glosa?

O prazo é definido em contrato entre o prestador e a operadora, conforme a RN 503/2022 da ANS, que regula os contratos escritos entre operadoras e prestadores e determina que o prazo de contestação deve ser igual ao prazo de resposta da operadora. Na prática, o mais comum é de 30 dias a partir do recebimento do relatório.

Como reduzir a recorrência de um mesmo código de glosa?

Identificar a causa raiz no processo interno: um campo mal preenchido, uma etapa de autorização ignorada ou um documento que sistematicamente não é enviado. A solução é quase sempre processual: checklist, treinamento ou integração de sistemas.

Qual a diferença entre glosa técnica e glosa administrativa?

A glosa técnica questiona a pertinência clínica do procedimento. A glosa administrativa decorre de falhas formais, como documentação incompleta, código errado ou ausência de autorização. A maioria dos códigos da tabela TISS está ligada a glosas administrativas, que têm maior potencial de reversão.

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