Tabelas CBHPM e AMB: o que são e como aplicar

Tabelas CBHPM e AMB: o que são e como aplicar

Tabelas CBHPM e AMB: o que são e como aplicar

Divergências entre a tabela usada na cobrança e a prevista em contrato estão entre as principais causas de glosa. Veja como identificar a versão vigente, aplicar o cálculo corretamente e proteger o faturamento hospitalar

Rivio

Redação

1 de jul. de 2026

5 minutos

1 de jul. de 2026

5 minutos

As tabelas CBHPM e AMB definem os valores de referência que hospitais, clínicas e planos de saúde usam para calcular honorários médicos. Um hospital que cobra um procedimento pela CBHPM, mas cujo contrato com a operadora ainda está indexado na tabela AMB, corre o risco de ter a cobrança rejeitada por divergência. Essa falha gera glosa administrativa, atrasa o recebimento e compromete o ciclo de receita.

Para evitar esse tipo de perda, o time de faturamento precisa saber qual tabela está vigente em cada contrato e como aplicá-la corretamente. Este artigo explica o que são as tabelas CBHPM e AMB, suas diferenças, como a CBHPM é atualizada e de que forma a gestão correta dessas referências protege a receita do hospital.

O que são as tabelas CBHPM e AMB

A CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) é uma tabela de referência criada pela Associação Médica Brasileira (AMB) em 2003, com apoio de sociedades de especialidades médicas, do Conselho Federal de Medicina e da Federação Nacional dos Médicos. Ela padroniza a nomenclatura dos procedimentos médicos e estabelece valores de referência, organizados por porte, para orientar honorários e custo operacional.

A tabela AMB é anterior à CBHPM e serviu como sua base histórica. Ainda aparece em contratos antigos entre hospitais e operadoras, principalmente naqueles que não foram renegociados nos últimos anos. Por isso, conhecer as duas tabelas continua sendo necessário para o faturamento hospitalar.

Hospitais, clínicas, médicos e operadoras usam essas tabelas para cobrança, auditoria e negociação contratual. Nenhuma das duas é obrigatória por lei, mas ambas são amplamente adotadas como referência de mercado na saúde suplementar.

Qual a diferença entre CBHPM e AMB

A principal diferença está na estrutura: a CBHPM organiza os procedimentos por porte e hierarquia, enquanto a AMB segue um modelo mais simples e menos detalhado. A tabela abaixo resume os pontos de comparação mais relevantes para o faturamento.

Critério

CBHPM

AMB

Origem

Criada em 2003 pela AMB, como evolução da tabela AMB

Tabela anterior, base histórica da CBHPM

Estrutura

Hierarquizada, organizada por porte e UCO

Mais simples, sem hierarquização por porte

Aceitação no mercado

Maior, referência atual da maioria das operadoras

Menor, restrita a contratos antigos

Uso atual

Cobrança, auditoria e negociação contratual

Ainda vigente em parte dos contratos não renegociados

 

Qual é a edição vigente da CBHPM e como ela é atualizada

A edição vigente da CBHPM é a 5ª edição, publicada em 2022 pela Associação Médica Brasileira (AMB). Ela segue como referência oficial enquanto a associação prepara a próxima atualização, processo que costuma levar anos entre uma edição e outra.

Isso não significa que os valores fiquem parados. A AMB atualiza periodicamente os valores de porte e UCO por meio de resoluções normativas do Conselho Nacional de Hierarquização Médica (CNHM) e de comunicados oficiais, sem publicar uma edição nova. O comunicado de 18 de outubro de 2025 é um exemplo: reajustou os valores de porte e UCO com base no INPC/IBGE do período (5,10%), fixando o novo valor de referência de 1 UCO em R$ 29,80, vigente de outubro de 2025 a setembro de 2026.

Por isso, hospitais e clínicas precisam acompanhar não apenas a edição da CBHPM, mas também os comunicados e resoluções normativas publicados no site oficial da AMB.

Como funciona o cálculo por porte e UCO

O valor de cada procedimento na CBHPM resulta da combinação entre o porte, que representa a complexidade do ato médico, e a UCO (Unidade de Custo Operacional), que representa os custos de estrutura, insumos e equipe de apoio. O honorário final soma o valor do porte ao produto entre a quantidade de UCOs do procedimento e o valor vigente da UCO, ajustado pelos percentuais negociados com cada operadora. Para entender a lógica completa da hierarquização, veja como se estrutura o código da CBHPM e qual metodologia orienta o cálculo de portes com CBHPM.

Como as tabelas impactam o faturamento e as glosas

A divergência entre a tabela usada na cobrança e a prevista em contrato é uma das causas mais comuns de glosa administrativa. Quando o time de faturamento aplica a CBHPM em um contrato ainda indexado na AMB, ou usa uma edição desatualizada, a operadora rejeita a cobrança e o hospital precisa refazer o processo, atrasando o recebimento.

Segundo o Observatório Anahp 2025, o índice de glosa aceita sobre a receita bruta convertida saltou de 0,78% em 2021 para 1,96% em 2024, mais que dobrando em três anos. Parte desse crescimento está ligada a falhas administrativas e documentais, categoria que inclui divergências de tabela.

Cada contrato firmado entre hospital e operadora deve especificar qual tabela está vigente, qual edição e quais percentuais de ajuste foram negociados. Sem esse controle, o faturamento fica exposto a glosas evitáveis e a receita do hospital perde previsibilidade.

Como aplicar a CBHPM corretamente no hospital

Aplicar a tabela certa em cada cobrança exige rotina, não apenas conhecimento técnico. Três práticas reduzem o risco de glosa por divergência de tabela.

Mapear a tabela vigente por contrato

Manter um registro atualizado de qual tabela e edição está em vigor em cada contrato com operadoras evita que o faturamento aplique valores incorretos. Esse mapeamento deve ser revisado sempre que um contrato for renegociado.

Acompanhar os comunicados da AMB

Resoluções normativas do CNHM e comunicados oficiais alteram os valores de porte e UCO sem publicar uma nova edição da CBHPM. Acompanhar essas publicações evita que o hospital cobre com valores defasados. Entender como a Tabela CBHPM calcula os honorários dos médicos ajuda a identificar rapidamente o impacto de cada reajuste.

Revisar cláusulas de reajuste contratual

Contratos com cláusulas de atualização periódica reduzem a necessidade de renegociação constante e mantêm o faturamento alinhado à tabela vigente. Hospitais que atualizam a tabela sem revisar o contrato correm o risco de cobrar valores não previstos, o que também está ligado a como funciona o número de incidências da CBHPM em procedimentos combinados.

Conhecer a tabela vigente é a base para evitar glosas evitáveis

A gestão correta das tabelas CBHPM e AMB não se limita a conhecer a diferença entre elas. Exige acompanhar atualizações, mapear contratos e garantir que o faturamento aplique sempre a versão correta em cada cobrança.

Ferramentas de inteligência artificial já ajudam hospitais a automatizar essa verificação, cruzando dados clínicos com regras de faturamento e reduzindo o risco de glosas por divergência de tabela ou erro documental.

Perguntas frequentes sobre tabelas CBHPM e AMB

Qual a diferença entre CBHPM e AMB?

A CBHPM é mais recente, hierarquizada e tem maior aceitação no mercado. A tabela AMB é anterior, mais simples e ainda aparece em contratos antigos que não foram renegociados.

Onde consultar a tabela CBHPM oficial?

A versão vigente da CBHPM pode ser consultada no site oficial da Associação Médica Brasileira (AMB), que também reúne as resoluções normativas e comunicados que atualizam seus valores.

As tabelas CBHPM e AMB são obrigatórias por lei?

Não. Nenhuma das duas é obrigatória por lei, mas ambas são amplamente adotadas como referência pelo setor de saúde suplementar para cobrança, auditoria e negociação.

Como saber qual tabela usar em cada contrato?

É preciso consultar o contrato firmado com cada operadora, pois cada um pode prever uma tabela e uma edição diferentes. Manter esse mapeamento atualizado evita glosas por divergência.

A CBHPM é atualizada todos os anos?

Não necessariamente com uma nova edição, mas os valores de porte e UCO são revisados periodicamente pela AMB por meio de resoluções normativas e comunicados oficiais, como o reajuste de outubro de 2025.

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