
Tabelas CBHPM e AMB: o que são e como aplicar
Divergências entre a tabela usada na cobrança e a prevista em contrato estão entre as principais causas de glosa. Veja como identificar a versão vigente, aplicar o cálculo corretamente e proteger o faturamento hospitalar
As tabelas CBHPM e AMB definem os valores de referência que hospitais, clínicas e planos de saúde usam para calcular honorários médicos. Um hospital que cobra um procedimento pela CBHPM, mas cujo contrato com a operadora ainda está indexado na tabela AMB, corre o risco de ter a cobrança rejeitada por divergência. Essa falha gera glosa administrativa, atrasa o recebimento e compromete o ciclo de receita.
Para evitar esse tipo de perda, o time de faturamento precisa saber qual tabela está vigente em cada contrato e como aplicá-la corretamente. Este artigo explica o que são as tabelas CBHPM e AMB, suas diferenças, como a CBHPM é atualizada e de que forma a gestão correta dessas referências protege a receita do hospital.
O que são as tabelas CBHPM e AMB
A CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) é uma tabela de referência criada pela Associação Médica Brasileira (AMB) em 2003, com apoio de sociedades de especialidades médicas, do Conselho Federal de Medicina e da Federação Nacional dos Médicos. Ela padroniza a nomenclatura dos procedimentos médicos e estabelece valores de referência, organizados por porte, para orientar honorários e custo operacional.
A tabela AMB é anterior à CBHPM e serviu como sua base histórica. Ainda aparece em contratos antigos entre hospitais e operadoras, principalmente naqueles que não foram renegociados nos últimos anos. Por isso, conhecer as duas tabelas continua sendo necessário para o faturamento hospitalar.
Hospitais, clínicas, médicos e operadoras usam essas tabelas para cobrança, auditoria e negociação contratual. Nenhuma das duas é obrigatória por lei, mas ambas são amplamente adotadas como referência de mercado na saúde suplementar.
Qual a diferença entre CBHPM e AMB
A principal diferença está na estrutura: a CBHPM organiza os procedimentos por porte e hierarquia, enquanto a AMB segue um modelo mais simples e menos detalhado. A tabela abaixo resume os pontos de comparação mais relevantes para o faturamento.
Critério | CBHPM | AMB |
Origem | Criada em 2003 pela AMB, como evolução da tabela AMB | Tabela anterior, base histórica da CBHPM |
Estrutura | Hierarquizada, organizada por porte e UCO | Mais simples, sem hierarquização por porte |
Aceitação no mercado | Maior, referência atual da maioria das operadoras | Menor, restrita a contratos antigos |
Uso atual | Cobrança, auditoria e negociação contratual | Ainda vigente em parte dos contratos não renegociados |
Qual é a edição vigente da CBHPM e como ela é atualizada
A edição vigente da CBHPM é a 5ª edição, publicada em 2022 pela Associação Médica Brasileira (AMB). Ela segue como referência oficial enquanto a associação prepara a próxima atualização, processo que costuma levar anos entre uma edição e outra.
Isso não significa que os valores fiquem parados. A AMB atualiza periodicamente os valores de porte e UCO por meio de resoluções normativas do Conselho Nacional de Hierarquização Médica (CNHM) e de comunicados oficiais, sem publicar uma edição nova. O comunicado de 18 de outubro de 2025 é um exemplo: reajustou os valores de porte e UCO com base no INPC/IBGE do período (5,10%), fixando o novo valor de referência de 1 UCO em R$ 29,80, vigente de outubro de 2025 a setembro de 2026.
Por isso, hospitais e clínicas precisam acompanhar não apenas a edição da CBHPM, mas também os comunicados e resoluções normativas publicados no site oficial da AMB.
Como funciona o cálculo por porte e UCO
O valor de cada procedimento na CBHPM resulta da combinação entre o porte, que representa a complexidade do ato médico, e a UCO (Unidade de Custo Operacional), que representa os custos de estrutura, insumos e equipe de apoio. O honorário final soma o valor do porte ao produto entre a quantidade de UCOs do procedimento e o valor vigente da UCO, ajustado pelos percentuais negociados com cada operadora. Para entender a lógica completa da hierarquização, veja como se estrutura o código da CBHPM e qual metodologia orienta o cálculo de portes com CBHPM.
Como as tabelas impactam o faturamento e as glosas
A divergência entre a tabela usada na cobrança e a prevista em contrato é uma das causas mais comuns de glosa administrativa. Quando o time de faturamento aplica a CBHPM em um contrato ainda indexado na AMB, ou usa uma edição desatualizada, a operadora rejeita a cobrança e o hospital precisa refazer o processo, atrasando o recebimento.
Segundo o Observatório Anahp 2025, o índice de glosa aceita sobre a receita bruta convertida saltou de 0,78% em 2021 para 1,96% em 2024, mais que dobrando em três anos. Parte desse crescimento está ligada a falhas administrativas e documentais, categoria que inclui divergências de tabela.
Cada contrato firmado entre hospital e operadora deve especificar qual tabela está vigente, qual edição e quais percentuais de ajuste foram negociados. Sem esse controle, o faturamento fica exposto a glosas evitáveis e a receita do hospital perde previsibilidade.
Como aplicar a CBHPM corretamente no hospital
Aplicar a tabela certa em cada cobrança exige rotina, não apenas conhecimento técnico. Três práticas reduzem o risco de glosa por divergência de tabela.
Mapear a tabela vigente por contrato
Manter um registro atualizado de qual tabela e edição está em vigor em cada contrato com operadoras evita que o faturamento aplique valores incorretos. Esse mapeamento deve ser revisado sempre que um contrato for renegociado.
Acompanhar os comunicados da AMB
Resoluções normativas do CNHM e comunicados oficiais alteram os valores de porte e UCO sem publicar uma nova edição da CBHPM. Acompanhar essas publicações evita que o hospital cobre com valores defasados. Entender como a Tabela CBHPM calcula os honorários dos médicos ajuda a identificar rapidamente o impacto de cada reajuste.
Revisar cláusulas de reajuste contratual
Contratos com cláusulas de atualização periódica reduzem a necessidade de renegociação constante e mantêm o faturamento alinhado à tabela vigente. Hospitais que atualizam a tabela sem revisar o contrato correm o risco de cobrar valores não previstos, o que também está ligado a como funciona o número de incidências da CBHPM em procedimentos combinados.
Conhecer a tabela vigente é a base para evitar glosas evitáveis
A gestão correta das tabelas CBHPM e AMB não se limita a conhecer a diferença entre elas. Exige acompanhar atualizações, mapear contratos e garantir que o faturamento aplique sempre a versão correta em cada cobrança.
Ferramentas de inteligência artificial já ajudam hospitais a automatizar essa verificação, cruzando dados clínicos com regras de faturamento e reduzindo o risco de glosas por divergência de tabela ou erro documental.
Perguntas frequentes sobre tabelas CBHPM e AMB
Qual a diferença entre CBHPM e AMB?
A CBHPM é mais recente, hierarquizada e tem maior aceitação no mercado. A tabela AMB é anterior, mais simples e ainda aparece em contratos antigos que não foram renegociados.
Onde consultar a tabela CBHPM oficial?
A versão vigente da CBHPM pode ser consultada no site oficial da Associação Médica Brasileira (AMB), que também reúne as resoluções normativas e comunicados que atualizam seus valores.
As tabelas CBHPM e AMB são obrigatórias por lei?
Não. Nenhuma das duas é obrigatória por lei, mas ambas são amplamente adotadas como referência pelo setor de saúde suplementar para cobrança, auditoria e negociação.
Como saber qual tabela usar em cada contrato?
É preciso consultar o contrato firmado com cada operadora, pois cada um pode prever uma tabela e uma edição diferentes. Manter esse mapeamento atualizado evita glosas por divergência.
A CBHPM é atualizada todos os anos?
Não necessariamente com uma nova edição, mas os valores de porte e UCO são revisados periodicamente pela AMB por meio de resoluções normativas e comunicados oficiais, como o reajuste de outubro de 2025.



