24 de nov. de 2025
Gestão hospitalar
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SADT é a sigla para Serviço de Apoio Diagnóstico e Terapêutico, um dos pilares silenciosos do cuidado em saúde. Embora não seja um termo tão comum para o público quanto consultas, cirurgias ou internações, é o SADT que garante a precisão diagnóstica, a agilidade terapêutica e a previsibilidade operacional e financeira de hospitais, clínicas e operadoras de saúde.
Recentemente, o SADT tem se tornado o principal motor de descentralização e de inteligência clínica. Acompanhe este artigo para entender a fundo esse serviço e como ele impacta o ciclo da receita hospitalar.
Saiba também o que os hospitais devem fazer para otimizar desempenho, acelerar o reembolso e elevar a qualidade assistencial por meio de uma gestão estratégica do SADT.
O que é SADT e por que ele é essencial?
O SADT é o conjunto de exames, procedimentos diagnósticos e atos terapêuticos realizados em regime ambulatorial (ou seja, fora da internação). Fazem parte dessa categoria tanto exames de baixa complexidade e alto volume (raio-X e hemograma, por exemplo) quanto procedimentos de alta complexidade e custo, como ressonância magnética com contraste, estudos eletrofisiológicos e terapias oncológicas.
Na prática, a gestão eficiente do SADT cumpre três funções estratégicas:
Suporte e confirmação diagnóstica: reduz a incerteza clínica, permitindo o início rápido e preciso de tratamentos, impactando diretamente o desfecho clínico do paciente.
Descentralização terapêutica: executa terapias e procedimentos menos invasivos e custosos que uma internação, como a administração de medicamentos biológicos.
Motor da eficiência operacional: ao migrar procedimentos do ambiente de internação para o ambulatorial, o SADT libera leitos e recursos hospitalares críticos para casos de maior gravidade.
Num cenário em que a margem de erro clínico diminui a cada ano e a pressão financeira sobre as instituições cresce, entender as oportunidades para melhor gestão do SADT se tornou um diferencial estratégico. O SADT é o elo fundamental que mantém o fluxo de cuidado fora da internação ajustado, garantindo um uso mais inteligente de recursos escassos, como os leitos hospitalares.
Quais os principais serviços incluídos no SADT?
O SADT envolve um amplo espectro de serviços, categorizados pela complexidade e pelo tipo de tecnologia empregada:
1. Diagnóstico por imagem
Métodos clássicos: raio-X, ultrassonografia, mamografia.
Alta complexidade: tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM), medicina nuclear (PET-Scan).
A otimização dos agendamentos de TC e RM (equipamentos de alto custo) e o uso de inteligência artificial para auxílio no laudo melhoram a acurácia e o tempo de resposta.
2. Exames laboratoriais (análises clínicas)
Hematologia, bioquímica, microbiologia, imunologia, hormônios e marcadores tumorais.
Em muitos hospitais de alta complexidade, a maioria das decisões médicas (da admissão à alta hospitalar) são influenciadas por resultados de exames laboratoriais. Assim, a velocidade (Turnaround Time – TAT) é um fator crítico.
3. Métodos gráficos e funcionais
Eletrocardiograma (ECG), eletroencefalograma (EEG), testes ergométricos, Holter, monitorização ambulatorial de pressão arterial (MAPA), espirometria.
Esses recursos fornecem dados funcionais vitais, especialmente em cardiologia, pneumologia e neurologia, sendo essenciais para o acompanhamento crônico e preventivo.
4. Procedimentos terapêuticos ambulatoriais
Terapias infusionais (quimioterapia, medicamentos biológicos), radioterapia, de hemodinâmica (cateterismos, angioplastias), pequenas cirurgias e procedimentos invasivos guiados por imagem.
Essa categoria concentra a maior complexidade regulatória devido à alta utilização de materiais especiais (OPME) e medicamentos de alto custo, demandando precisão máxima na autorização prévia e no faturamento.
Como o SADT impacta a gestão e a inovação hospitalar
O SADT impacta a gestão hospitalar muito além da execução de exames. Ele atua como um pilar da inovação e da sustentabilidade dos hospitais, trazendo benefícios como:
Melhoria do desfecho clínico: ao reduzir a incerteza diagnóstica e acelerar o início do tratamento, o SADT diminui riscos, atrasos e a probabilidade de reinternações.
Contenção de custos assistenciais: a migração de exames e procedimentos para o ambiente ambulatorial é uma das maiores alavancas de eficiência. Um exame de imagem realizado como SADT custa significativamente menos (em média, 30% a 50% menos) do que o mesmo exame dentro de uma internação, pois não aciona pacotes hospitalares nem diárias de leito.
Otimização do fluxo financeiro: hospitais que estruturam o SADT corretamente (com processos de faturamento ágeis e precisos) garantem um fluxo financeiro mais estável e previsível, com menor dependência da alta variação de receita proveniente de internações complexas.
Principais desafios do SADT para hospitais e clínicas
A operação de SADT traz ganhos importantes, mas também desafios críticos, como:
1. Autorização e diretrizes clínicas
Muitos procedimentos dependem de autorização prévia e de aderência estrita às diretrizes da ANS e dos contratos com operadoras.
Alguns erros comuns são:
solicitação inadequada;
falta de informação clínica;
divergência entre pedido e execução;
registro incompleto no sistema.
Essas falhas geram negativas, atrasos e glosas.
2. Divergências entre guia, laudo e cobrança
O SADT exige alinhamento perfeito entre o que foi pedido, realizado e faturado. Uma inconsistência de código pode inviabilizar o reembolso.
3. Gestão de OPME e materiais de alto custo
No caso de procedimentos terapêuticos, os materiais especiais (OPME) são um ponto sensível: falta de rastreabilidade ou de autorização gera perdas significativas.
4. Performance operacional
Atrasos na entrega de laudos, falhas de agendamento e indisponibilidade de equipamentos reduzem produtividade e aumentam a fila de espera.
5. Indicadores pouco acompanhados
Sem métricas claras, o SADT deixa de ser estratégico dentro do hospital. Alguns indicadores essenciais incluem:
tempo médio até liberação de laudo;
taxa de solicitações negadas;
custo por exame;
ocupação de salas e equipamentos;
glosas por inconsistência técnica.
Como melhorar a eficiência e o faturamento do SADT
Para transformar o SADT em um verdadeiro centro de resultados, as instituições devem focar em processos digitalizados e integrados:
1. Automatizar verificações de elegibilidade e autorização
Integrar as plataformas de autorização diretamente com o sistema de gestão hospitalar e as regras contratuais. Isso permite que o sistema bloqueie pedidos indevidos ou sem conformidade antes mesmo do agendamento, prevenindo a glosa na origem.
2. Padronizar protocolos diagnósticos e laudos
Utilizar protocolos clínicos estruturados para reduzir a variabilidade na solicitação de exames. A padronização dos laudos (inclusive com campos obrigatórios) facilita a auditoria e a cobrança alinhada com as tabelas de referência.
3. Revisar a cadeia de códigos e tabelas
Garantir que as tabelas TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar), CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) e os códigos internos estejam 100% coerentes e atualizados, eliminando a principal fonte de glosas técnicas e de processamento.
4. Monitorar indicadores críticos diariamente
Hospitais de alta performance tratam o SADT como um centro de resultados, acompanhando os seguintes indicadores em tempo real:
Turnaround Time (TAT) por exame: tempo médio até a liberação de laudo.
Taxa de glosa por inconsistência técnica.
Custo por exame (custo-volume).
Ocupação de salas e equipamentos de alto custo (RM/TC).
A influência do SADT no ciclo da receita hospitalar
O SADT está diretamente ligado às três etapas mais sensíveis do ciclo da receita: pré-atendimento (agendamento/autorização), documentação completa e faturamento/cobrança. Uma falha em qualquer um desses itens pode se manifestar como glosa meses depois, impactando o fluxo de caixa.
No SADT, registro é tudo. Tudo que é realizado precisa estar perfeitamente documentado e integrado ao faturamento, incluindo:
Código TUSS e CBHPM compatível.
Quantidade exata.
Material/Medicamento usado (com lote e validade).
Justificativa clínica clara (CID associado ao diagnóstico).
Laudo eletrônico anexo.
Profissional executante.
Glosas no SADT são frequentes quando há divergência entre guia e laudo, registros duplicados de exames, códigos incompatíveis, ou ausência de anexos/assinaturas obrigatórias.
Hospitais que dominam a gestão inteligente do SADT conseguem reduzir a glosa média do setor e manter a receita mais previsível. Isso aumenta não só a sustentabilidade financeira do hospital, mas principalmente a qualidade e agilidade do cuidado oferecido ao paciente.
A Rivio apoia hospitais justamente nesse ponto: otimizar cada etapa do ciclo da receita. Se o hospital ganha eficiência, sustentabilidade e previsibilidade financeira, o gestor ganha tempo para fazer o que realmente importa: cuidar da qualidade assistencial e da saúde financeira da instituição.



