Tabela TUSS: o que é e por que é tão importante

Tabela TUSS: o que é e por que é tão importante

Tabela TUSS: o que é e por que é tão importante

Essa tabela padroniza a linguagem entre hospitais e operadoras de planos de saúde. Saiba como os códigos TUSS funcionam na prática, quais são as categorias da tabela e como erros de codificação afetam diretamente o faturamento

Rivio

Redação

16 de abr. de 2026

5 minutos

16 de abr. de 2026

5 minutos

A Tabela TUSS, Terminologia Unificada da Saúde Suplementar, é o padrão que organiza a linguagem entre hospitais, clínicas e operadoras de planos de saúde no Brasil. Cada procedimento, exame, consulta ou material recebe um código único. Quando o hospital fatura, informa esse código. Quando a operadora recebe, sabe exatamente o que foi realizado.

Antes da TUSS, cada prestador usava nomenclaturas próprias. A operadora interpretava à sua maneira. Essa rotina levava a erros de nomenclatura, atrasos de pagamento e glosas evitáveis. A padronização resolveu uma parte desse problema.

Para o gestor hospitalar, entender a TUSS significa saber onde falhas de codificação geram perdas financeiras e como o uso correto dos códigos protege o faturamento.

Como surgiu a Tabela TUSS?

A TUSS foi criada em trabalho conjunto entre a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS). A terminologia foi instituída como padrão oficial pela Instrução Normativa DIDES nº 34, de 13 de fevereiro de 2009, que determinou sua adoção obrigatória por operadoras e prestadores de serviços de saúde suplementar. A implementação foi concluída em outubro de 2010.

A motivação era prática. Antes da TUSS, um mesmo procedimento podia ser descrito de dezenas de formas diferentes: "ressonância de crânio", "RNM crânio", "ressonância magnética encéfalo". Cada operadora processava à sua maneira, e qualquer divergência de nomenclatura justificava uma glosa ou um atraso no pagamento.

Com a TUSS, passou a existir um único código para cada procedimento. A descrição livre deu lugar a um identificador preciso, rastreável e auditável. A tabela foi estruturada com base na hierarquia da CBHPM, o que facilitou a transição para o setor.

Como a Tabela TUSS funciona na prática?

A TUSS é organizada em códigos numéricos de oito dígitos associados a descrições padronizadas. Alguns exemplos:

  • Consulta médica em clínica básica: código 10101012

  • Ressonância magnética do encéfalo: código 41101014

  • Apendicectomia: código 31003079 

Quando o hospital envia a conta para o plano, informa o código TUSS correspondente a cada item faturado. A operadora identifica o procedimento de forma imediata, sem necessidade de interpretação. O cruzamento entre o que foi realizado, o que foi registrado e o que foi cobrado torna-se direto.

Esse mecanismo reduz o espaço para ambiguidades em toda a cadeia: recepção, faturamento, auditoria e pagamento.

Quais são as categorias da Tabela TUSS?

A tabela abrange todos os serviços da saúde suplementar, organizados em quatro capítulos principais:

  • Procedimentos Gerais e Consultas: atendimentos médicos e de outros profissionais de saúde em diversas especialidades

  • Procedimentos Clínicos: exames diagnósticos, análises clínicas, exames de imagem, biópsias e outros

  • Procedimentos Cirúrgicos e Invasivos: cirurgias de todos os portes e especialidades

  • Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos: fisioterapia, hemodiálise, radioterapia, OPME (órteses, próteses e materiais especiais) e outros

Essa organização hierárquica, herdada da estrutura da CBHPM, facilita a localização dos códigos e o controle interno por categoria de serviço.

TUSS e CBHPM: qual a diferença?

As duas tabelas coexistem no faturamento hospitalar e têm funções distintas. A confusão entre elas é frequente, especialmente em procedimentos cirúrgicos, em que ambas se aplicam de forma complementar. 

Critério

Tabela TUSS

CBHPM

O que padroniza

Terminologia dos procedimentos e serviços

Honorários médicos

Base estrutural

CBHPM (hierarquia adaptada)

Classificação hierárquica própria

Quem mantém

AMB, com aprovação de ANS e COPISS

AMB (Associação Médica Brasileira)

Uso obrigatório

Sim, em toda a saúde suplementar (IN nº 34/2009)

Referência contratual, não obrigatória

Aplicação

Faturamento hospitalar, auditoria, TISS

Remuneração de honorários e portes cirúrgicos

Relação com glosas

Erros de código TUSS geram glosa direta

Divergências de porte geram glosa de honorário

Na prática: um procedimento cirúrgico usa o código TUSS para identificação do ato realizado e a CBHPM para determinar o porte cirúrgico e os honorários correspondentes. Erros em qualquer uma das duas tabelas podem resultar em glosa.

Qual o impacto da TUSS no faturamento hospitalar?

O uso correto da TUSS tem efeito direto na receita do hospital em quatro dimensões:

Redução de glosas por nomenclatura. Erros de codificação estão entre as causas mais frequentes de glosas hospitalares. Um código incorreto ou desatualizado gera rejeição pela operadora sem que haja qualquer problema clínico ou assistencial na conta.

Agilidade nos pagamentos. Contas enviadas com códigos corretos passam mais rapidamente pela auditoria das operadoras: menos questionamentos, menos tempo até o recebimento.

Previsibilidade financeira. Com codificação padronizada, o hospital estima com mais precisão o valor a receber por tipo de procedimento, o que facilita o planejamento do fluxo de caixa.

Auditoria interna mais eficiente. A conferência entre o que foi realizado e o que foi registrado torna-se direta quando ambos os lados usam a mesma referência.

Exemplo prático: um hospital que descrevia "ressonância de crânio" em vez de usar o código 41101014 (ressonância magnética do encéfalo) enfrentava glosas recorrentes por divergência de nomenclatura. Após padronizar o uso dos códigos TUSS, as glosas por esse motivo foram eliminadas.

Quais são os desafios de aplicar a Tabela TUSS?

A padronização resolve o problema da nomenclatura, mas a aplicação correta exige atenção contínua em quatro frentes:

Atualização constante. A ANS revisa a TUSS periodicamente para incorporar novos procedimentos e tecnologias. Sistemas desatualizados continuam usando códigos revogados, gerando glosas evitáveis.

Treinamento de equipes. Recepcionistas, faturistas e auditores precisam conhecer os códigos e saber quando cada um se aplica. A rotatividade nessas funções torna o treinamento contínuo uma necessidade operacional.

Integração de sistemas. Softwares hospitalares sem atualização automática da ANS exigem importação manual dos arquivos, o que aumenta o risco de defasagem.

OPME e materiais especiais. As nomenclaturas de próteses, órteses e dispositivos médicos ainda geram dúvidas frequentes, especialmente em cirurgias ortopédicas e cardiovasculares, em que o impacto financeiro de uma glosa é alto.

Como manter a TUSS atualizada na instituição?

Quatro práticas reduzem o risco de defasagem:

  1. Integração com sistemas que recebem atualizações automáticas da ANS, eliminando dependência de importação manual.

  2. Treinamento recorrente das equipes de faturamento e auditoria, com foco nas versões mais recentes da tabela.

  3. Revisão periódica dos códigos de maior volume, especialmente após publicação de novas versões.

  4. Auditoria interna das contas antes do envio às operadoras, identificando codificações incorretas antes que se tornem glosas.

Para acompanhar as mudanças mais recentes, consulte: Atualização da Tabela TUSS 2025: saiba o que mudou.

Codificação correta é a primeira linha de defesa contra glosas

A TUSS resolve o problema da linguagem. O que ela não resolve são os erros que acontecem antes da codificação: registros clínicos incompletos, divergências entre o prontuário e a conta, ou procedimentos realizados sem documentação adequada.

A Rivio usa inteligência artificial para gerenciar todo o ciclo da receita hospitalar: lê e interpreta registros clínicos, cruza as informações com as regras de faturamento de cada operadora, identifica divergências de codificação antes do envio, automatiza o envio do XML e acompanha os recursos de glosa. Com a Rivio, hospitais deixam a burocracia nas mãos da IA e concentram energia no cuidado ao paciente. 

FAQ — perguntas frequentes sobre a Tabela TUSS

O que é a Tabela TUSS?

A TUSS, Terminologia Unificada da Saúde Suplementar, é o padrão criado pela ANS para padronizar nomes e códigos de procedimentos, exames, consultas e materiais na relação entre hospitais, clínicas e operadoras de planos de saúde. Foi instituída pela Instrução Normativa DIDES nº 34/2009 e tornou-se de uso obrigatório em outubro de 2010.

A Tabela TUSS substitui a CBHPM?

As duas tabelas têm funções diferentes e coexistem no faturamento. A TUSS padroniza a terminologia dos procedimentos para fins de faturamento e auditoria. A CBHPM define os critérios para remuneração de honorários médicos e portes cirúrgicos. A própria estrutura da TUSS foi construída com base na hierarquia da CBHPM.

Todos os prestadores são obrigados a usar a TUSS?

Sim. O uso é obrigatório em toda a saúde suplementar: hospitais, clínicas, laboratórios, serviços ambulatoriais e operadoras de planos de saúde.

A TUSS elimina todos os erros de faturamento?

A TUSS elimina erros de nomenclatura, que estão entre as causas mais frequentes de glosa. Erros documentais, clínicos ou de codificação inadequada ainda podem ocorrer e exigem processos internos de auditoria para serem detectados antes do envio às operadoras.

Onde consultar a Tabela TUSS atualizada?

A tabela está disponível no portal da ANS e pode ser consultada gratuitamente. Softwares de gestão hospitalar costumam receber atualizações automáticas; quando não, é necessário importar os arquivos diretamente do site da agência.

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