
OPME: o impacto desses materiais nos custos do hospital
OPME concentra alto valor unitário, exigências rígidas de rastreabilidade e risco elevado de glosa. Saiba o que são, como são regulamentadas e o que o hospital precisa controlar
OPME é a sigla para órteses, próteses e materiais especiais, um conjunto de dispositivos médicos utilizados para substituir, auxiliar ou complementar funções do corpo humano em procedimentos cirúrgicos e terapêuticos. São itens que concentram, ao mesmo tempo, alto valor unitário, exigências rígidas de rastreabilidade e risco elevado de glosa. Por isso, a gestão de OPME é tanto uma questão clínica quanto financeira para o hospital.
Em procedimentos ortopédicos, cardiovasculares e neurocirúrgicos, a OPME frequentemente representa a parcela mais expressiva do valor faturado. O controle inadequado desses materiais, da autorização ao registro na conta, é uma das principais fontes de glosa no faturamento hospitalar.
O que são órteses, próteses e materiais especiais
A Resolução Normativa nº 465/2021 da ANS, norma vigente que regula a cobertura de OPME na saúde suplementar, define os três componentes da sigla com precisão.
Órtese é qualquer material permanente ou transitório que auxilie as funções de um membro, órgão ou tecido. Não é ligada ao ato cirúrgico quando sua colocação ou remoção não exige procedimento cirúrgico, como um colar cervical ou uma órtese plantar. Quando exige cirurgia para colocação ou remoção, passa a ser coberta obrigatoriamente pelos planos de saúde.
Prótese é qualquer material permanente ou transitório que substitua total ou parcialmente um membro, órgão ou tecido. Próteses articulares, valvas cardíacas e implantes ortopédicos são exemplos típicos. Sua cobertura pelos planos é obrigatória quando a colocação exige procedimento cirúrgico.
Materiais especiais são os componentes e acessórios necessários para o funcionamento ou implantação das órteses e próteses, como parafusos, fios de sutura absorvíveis de uso restrito e sistemas de fixação. Sua cobertura é obrigatória quando vinculados a procedimentos previstos no rol da ANS e registrados na Anvisa.
O impacto da OPME nos custos hospitalares
O impacto financeiro da OPME no orçamento hospitalar tem três dimensões. A primeira é o custo de aquisição: materiais de alta tecnologia com valor unitário elevado, sujeito a variações de mercado e negociações com fornecedores. A segunda é o custo de gestão: logística, controle de estoque, rastreabilidade e conformidade regulatória. A terceira é o custo do risco: glosas por documentação incompleta, autorização ausente ou rastreabilidade não formalizada, que transformam o material em perda definitiva quando não revertidas no recurso.
Em cirurgias de alta complexidade, o valor dos materiais OPME frequentemente supera o dos honorários médicos e das taxas de sala. Uma conta de artroscopia avançada, uma cirurgia cardiovascular ou uma cirurgia de coluna pode ter 60% a 80% do seu valor concentrado em materiais. Para um detalhamento do processo de auditoria dessas contas, veja Auditoria de contas de alto custo: pontos críticos.
Rastreabilidade: a exigência que não pode faltar
A RDC nº 14/2011 da Anvisa determina que todo material implantável deve ser acompanhado de etiquetas de rastreabilidade, com uma via obrigatoriamente anexada ao prontuário clínico, uma para a documentação fiscal e uma para o documento entregue ao paciente. O Manual de Boas Práticas de Gestão das OPME do Ministério da Saúde reforça que o profissional responsável pelo procedimento deve registrar na descrição cirúrgica, no registro de consumo da sala e no prontuário as informações completas de cada material utilizado: nome, fabricante, tamanho, quantidade e descrição do implante.
A ausência da etiqueta de rastreabilidade no prontuário é fundamento direto para glosa do material, independentemente de ele ter sido efetivamente implantado e de a nota fiscal estar presente. Operadoras de saúde verificam sistematicamente a rastreabilidade de OPME nas auditorias de contas de alto custo.
Autorização prévia e conformidade contratual
Todo material OPME que será cobrado na conta precisa estar amparado por autorização prévia da operadora. Isso significa que o hospital deve solicitar a autorização antes do procedimento, indicando o material específico que será utilizado, com código e especificação técnica.
Quando ocorre substituição de material durante a cirurgia, seja por indisponibilidade, seja por decisão clínica, a troca precisa ser comunicada à operadora e, sempre que possível, ter nova autorização emitida antes do faturamento. Material cobrado que difere do autorizado é glosado com fundamento formal, mesmo que clinicamente equivalente ao que foi autorizado.
A compatibilidade entre o material cobrado e o material autorizado deve ser conferida no fechamento da conta, cruzando a descrição cirúrgica com os itens lançados e com o escopo da autorização emitida. Essa verificação é parte do processo de auditoria prospectiva antes do envio.
OPME e o risco de glosa: o que controlar
As glosas de OPME se concentram em quatro pontos recorrentes: etiqueta de rastreabilidade ausente no prontuário, material cobrado diferente do autorizado, nota fiscal não vinculada ao item ou quantidade cobrada diferente da utilizada e registrada.
Cada um desses pontos tem um responsável no processo hospitalar. A rastreabilidade é responsabilidade da equipe cirúrgica no momento do implante. A autorização é responsabilidade do setor de faturamento antes do procedimento. A nota fiscal é responsabilidade do almoxarifado ou da central de materiais. O lançamento correto é responsabilidade de quem fecha a conta.
Quando esses quatro processos funcionam de forma integrada, a taxa de glosa de OPME cai de forma consistente. Quando algum deles opera de forma isolada, os erros se acumulam e chegam ao faturamento já consolidados, difíceis de corrigir antes do envio.
OPME na gestão hospitalar: do controle operacional ao resultado financeiro
O controle de OPME não é apenas uma questão de auditoria de contas. É uma questão de governança clínica e gestão financeira integradas. A tecnologia permite automatizar boa parte desse controle: cruzar automaticamente materiais autorizados com materiais cobrados, verificar a presença de etiquetas de rastreabilidade nos registros do prontuário e sinalizar divergências antes do fechamento da conta.
A Rivio audita automaticamente as contas com OPME antes do envio à operadora, verificando rastreabilidade, conformidade com a autorização e vinculação de nota fiscal, com supervisão de especialistas em faturamento em cada etapa do processo. Em contrato, a Rivio se compromete a ressarcir o hospital em 100% se a glosa não for revertida.
Perguntas frequentes sobre OPME hospitalar
O que é OPME?
OPME é a sigla para Órteses, Próteses e Materiais Especiais, dispositivos médicos utilizados para substituir, auxiliar ou complementar funções do corpo humano em procedimentos cirúrgicos. A RN nº 465/2021 da ANS regula a cobertura de OPME na saúde suplementar, determinando que materiais que exigem cirurgia para colocação ou remoção têm cobertura obrigatória.
Por que OPME gera tantas glosas?
Porque concentra alto valor unitário e exigências documentais específicas: etiqueta de rastreabilidade no prontuário, conformidade com a autorização prévia, nota fiscal vinculada ao item e registro na descrição cirúrgica. A ausência de qualquer desses elementos é fundamento suficiente para glosa, independentemente de o material ter sido efetivamente implantado.
O que é rastreabilidade de OPME?
É a identificação e o registro de cada material implantável ao longo do processo cirúrgico, conforme a RDC nº 14/2011 da Anvisa. Cada material deve ter uma etiqueta com informações do produto, fabricante e lote, com uma via obrigatoriamente anexada ao prontuário clínico. Sem essa etiqueta no prontuário, o material pode ser glosado mesmo com nota fiscal presente.
O hospital pode cobrar OPME substituído durante a cirurgia?
Pode, mas precisa comunicar a substituição à operadora e, quando possível, obter nova autorização para o material substituto antes do faturamento. Material cobrado que difere do autorizado sem comunicação e autorização correspondente é glosado com fundamento formal.



