
O faturamento hospitalar é um dos maiores desafios de gestão para instituições de saúde. Em média, os hospitais brasileiros levam 112,5 dias para receber o pagamento das operadoras de saúde. Esse número cresceu 19% desde 2018, segundo relatório do BTG Pactual.
Mas, afinal, por que esse prazo é tão longo? A resposta está em um processo complexo, fragmentado e cheio de gargalos: o ciclo da receita hospitalar. Por trás dessa demora, há três grandes fatores que impactam diretamente o faturamento: ineficiência nos processos de faturamento, contratos com operadoras de saúde mal gerenciados e alta incidência de glosas.
O caminho da conta: entenda o ciclo da receita hospitalar
Também conhecido como “caminho da conta”, o ciclo da receita hospitalar envolve todas as etapas pelas quais uma conta médica passa, desde o atendimento até o recebimento dos valores. Ele é composto por:
Agendamento e pré-autorização: verificação de cobertura e autorização do plano de saúde antes do atendimento.
Admissão e atendimento: registro do paciente e documentação de procedimentos, materiais e medicamentos.
Faturamento: codificação e consolidação das informações para envio da conta à operadora.
Recebimento e conciliação: análise e pagamento da fatura pela operadora e conferência por parte do hospital.
Gestão de glosas: revisão e contestação de valores negados ou pagos parcialmente.
Esse processo passa por diversas áreas: recepção, autorizações, enfermagem, farmácia, auditoria, faturamento, financeiro e jurídico. Qualquer falha de comunicação, documentação ou validação pode gerar atrasos significativos.
Os três pilares que atrasam o faturamento hospitalar
1. Ineficiência no processo de faturamento
Erros nas etapas iniciais do atendimento e no processamento das informações são uma das principais causas dos atrasos. Entre os problemas mais comuns estão:
Falta de documentação obrigatória ou erros no cadastro do paciente.
Registros incompletos de procedimentos, medicamentos e materiais.
Erros de codificação (CBHPM, TUSS) e de conferência com os contratos.
Informações divergentes entre os serviços prestados e os itens faturados.
Tabelas desatualizadas, que causam falhas na precificação.
Falta de visibilidade sobre o status de cada conta em tempo real.
Esses fatores geram retrabalho, aumentam as chances de glosa e prejudicam a previsibilidade financeira da instituição.
2. Negociações frágeis e prazos que se alongam além do contrato
Hospitais trabalham com diversas operadoras de saúde ao mesmo tempo, sendo que cada uma tem suas próprias regras e prazos de envio de documentos e recebimentos. Conhecer bem todos os contratos e processos. Portanto, é fundamental para não perder prazos.
Os prazos de pagamento são regidos por contratos firmados com cada operadora. E cada contrato tem regras diferentes:
Pagamento em 30 a 45 dias (prazo mais curto).
Pagamento em 60 dias (prazo médio).
Pagamento em 90 dias ou mais (prazo longo).
No entanto, quando ocorrem erros ou atrasos no processo de faturamento, os prazos contratuais deixam de ser o limite e se estendem ainda mais. A falta de domínio sobre os fluxos internos de faturamento gera insegurança nas negociações com as operadoras de saúde e compromete a gestão contratual.
Além disso, regras de negócio mal definidas levam à perda de prazos importantes, como os de solicitação de autorizações, fechamento de contas e envio de faturas. Nesse processo, contas podem ficar retidas no hospital por tempo indeterminado, e os cadastros de procedimentos, materiais e medicamentos acabam desatualizados, dificultando ainda mais o ciclo da receita.
3. Incidência de glosas
As glosas médicas são negativas parciais ou totais de pagamento por parte das operadoras, geralmente causadas por:
documentação incompleta ou inadequada;
serviços não autorizados ou divergentes do contrato;
erros na codificação dos procedimentos;
falta de justificativas técnicas.
Quando há glosa, o hospital precisa entrar com recurso, iniciando um novo ciclo de análise que pode levar mais 30, 60 ou até 90 dias adicionais. Em casos mais críticos, quando há glosas e longos prazos de análise por parte da operadora, uma conta médica pode levar até 6 meses para ser paga, desde o atendimento até a resolução da glosa.
Exemplo:
Atendimento em novembro.
Envio do faturamento em dezembro.
Glosa identificada e recurso solicitado.
Operadora leva até 90 dias para pagar a conta inicial (até março).
Recurso de glosas entra em análise, com prazo adicional de até 90 dias para revisão e pagamento do valor glosado.
Portanto, uma conta referente a um atendimento realizado em outubro pode ser paga apenas em abril do ano seguinte, dependendo dos prazos contratuais e da resolução de glosas.
Mas qual é a solução?
Processos manuais ainda são comuns em muitas instituições de saúde e frequentemente resultam em retrabalho, falhas e atrasos no recebimento das contas. Sem padronização e visibilidade, o ciclo da receita se torna lento, complexo e pouco eficiente.
A transformação digital surge como uma solução estratégica para reverter esse cenário. Com uso de tecnologias especializadas, é possível automatizar etapas críticas, reduzir erros operacionais e acelerar o faturamento de forma significativa.
Um exemplo disso é a Rivio, solução baseada em Inteligência Artificial que permite o acompanhamento em tempo real das contas médicas, ainda durante a internação.
Com a paltaforma Rivio, é possível:
Identificar divergências entre o que foi prestado e o que será faturado, antes do fechamento da conta.
Reduzir erros e glosas com conferência automática dos dados.
Integrar equipes e garantir visibilidade total do status da conta.
Agilizar a negociação com operadoras por meio do consenso eletrônico, que reduz as negativas.
Padronizar processos e garantir mais eficiência ao ciclo da receita.
Reduzir o prazo de faturamento é possível
Longos prazos de faturamento não precisam ser a regra. Com processos bem definidos, uso de dados e tecnologias inteligentes, é possível transformar a jornada da conta médica, tornando-a mais ágil, segura e financeiramente sustentável para hospitais e operadoras.



