7 de jan. de 2026
Gestão em saúde
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No setor da saúde, a confiança não pode se apoiar apenas em intenções; ela exige evidências. Assim como em diversas áreas um selo de inspeção confirma que todos os protocolos importantes foram seguidos, a acreditação hospitalar assegura que uma instituição de saúde opera de acordo com padrões rigorosos de qualidade e segurança.
Um hospital acreditado é aquele que se submete voluntariamente a uma avaliação externa e independente para verificar se seus processos assistenciais e administrativos atendem a exigentes requisitos de excelência.
Diferentemente da fiscalização obrigatória, como a realizada pela Vigilância Sanitária, a acreditação é uma escolha estratégica. Ela demonstra que o hospital não busca apenas cumprir exigências legais, mas de fato oferecer a melhor jornada do paciente, buscando sempre a eficácia operacional e a melhoria contínua.
Embora não seja um requisito legal, a acreditação vem sendo cada vez mais valorizada por pacientes, operadoras, gestores e investidores, justamente por reforçar práticas seguras, padronizadas e orientadas por evidência.
Como é o processo de acreditação hospitalar?
A acreditação hospitalar é um processo que tem se tornado cada vez mais comum no Brasil, principalmente entre hospitais e clínicas que buscam ser referência nacional e internacional.
Ela é estruturada em etapas que promovem diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação da qualidade institucional. Começa internamente, com uma autoavaliação para identificar pontos fortes e lacunas, estruturação e integração de protocolos clínicos e administrativos. Por fim, culmina com uma avaliação externa por auditores independentes.
Os principais passos, portanto, incluem:
1. Diagnóstico interno: levantamento de processos assistenciais e administrativos.
2. Planejamento de melhorias: definição de ações para alinhamento aos padrões exigidos.
3. Implementação de mudanças: padronização de protocolos e fluxos.
4. Treinamento da equipe: envolvimento de todos os profissionais nas práticas definidas.
5. Avaliação externa: visita de auditores que verificam processos, documentos e rotinas.
6. Manutenção do selo: após aprovação, o hospital recebe o certificado, com auditorias periódicas para assegurar manutenção da qualidade.
Esse ciclo reforça que a acreditação não é um ponto de chegada, mas um processo contínuo de melhoria da assistência à saúde.
Principais modelos de acreditação: ONA e JCI
No Brasil, a Organização Nacional de Acreditação (ONA) é a entidade responsável pelo principal sistema de acreditação hospitalar. A ONA desenvolve e gerencia padrões nacionais de segurança e qualidade, baseados em boas práticas reconhecidas internacionalmente, e também é membro da International Society for Quality in Health Care (ISQua), o que reforça sua credibilidade global.
A acreditação pela Joint Commission International (JCI) representa outro padrão importante, com reconhecimento internacional e critérios rigorosos voltados para segurança do paciente, gestão de riscos e governança clínica. A certificação JCI é considerada um selo de excelência global e demanda altos níveis de conformidade em padrões assistenciais e organizacionais
Níveis de acreditação ONA
A acreditação ONA é estruturada em três níveis, que representam graus progressivos de maturidade institucional e integração de processos:
· Nível 1 – Acreditado: confirma que a instituição cumpre requisitos essenciais de segurança do paciente e práticas assistenciais básicas.
· Nível 2 – Acreditado Pleno: além da segurança, demonstra gestão integrada, com processos padronizados e comunicação fluida entre áreas.
· Nível 3 – Acreditado com Excelência: o mais elevado, que evidencia cultura de melhoria contínua, gestão orientada por resultados e maturidade institucional consolidada.
Esses níveis funcionam como uma evolução contínua de qualidade, incentivando a organização a avançar sistematicamente em suas práticas de gestão e cuidado.
Quantos hospitais são acreditados no Brasil?
O Brasil tem cerca de 110 hospitais acreditados pela ONA, considerando todas as modalidades e níveis de certificação. Esse número representa uma parcela ainda restrita do total de instituições de saúde no país, o que faz da acreditação um diferencial competitivo e estratégico no contexto hospitalar.
Regiões com maior concentração de hospitais acreditados, como São Paulo, destacam-se pelo maior número de instituições que buscam consolidar qualidade e segurança na assistência.
Importância da acreditação para a gestão hospitalar
A acreditação vai além do reconhecimento formal. Ela estabelece um compromisso institucional com a segurança do paciente, a padronização de processos e a eficiência operacional.
Hospitais acreditados tendem a apresentar menor incidência de erros clínicos, maior controle de infecções, registros assistenciais mais consistentes e rotinas administrativas mais auditáveis.
Sob a ótica financeira, a acreditação impacta diretamente o faturamento hospitalar e a redução de glosas. A padronização de processos e a documentação adequada dos procedimentos reduzem inconsistências, aumentam a previsibilidade na análise de contas e fortalecem a relação com operadoras de saúde.
Além disso, a acreditação contribui para a construção de reputação institucional, ampliando a confiança de pacientes, médicos, operadoras e investidores e fortalecendo a competitividade no mercado.
Desafios da acreditação hospitalar
Apesar dos benefícios, a acreditação envolve desafios relevantes. Entre eles estão os custos associados à preparação e manutenção do selo, a resistência interna diante de mudanças de rotina e a necessidade de integração efetiva entre áreas clínicas, administrativas e financeiras para garantir conformidade contínua.
Nesse contexto, o uso de tecnologias de gestão, automação de processos e análise de dados tem papel decisivo para reduzir a carga operacional, aumentar a eficiência e sustentar os padrões exigidos pelos modelos de acreditação.



