Escala de Coma de Glasgow: saiba por que ainda é utilizada

Escala de Coma de Glasgow: saiba por que ainda é utilizada

Escala de Coma de Glasgow: saiba por que ainda é utilizada

Entenda como funciona a avaliação do nível de consciência em pacientes neurológicos, sua estrutura de pontuação, aplicações clínicas e relevância contínua na triagem, no monitoramento e na tomada de decisão em emergências hospitalares

Rivio

Redação

20 de fev. de 2026

5 minutos

20 de fev. de 2026

5 minutos

A Escala de Coma de Glasgow (Glasgow Coma Scale – GCS) é um instrumento clínico padronizado para avaliação do nível de consciência em pacientes com comprometimento neurológico agudo. Criada na década de 1970, ela permanece como referência global na triagem, monitoramento e classificação da gravidade de lesões cerebrais.

Seu uso é rotina em prontos-socorros, unidades de terapia intensiva e protocolos de trauma como parte fundamental na avaliação neurológica inicial. Entenda o uso da Escala de Glasgow na prática.

O que é a Escala de Coma de Glasgow?

A Escala de Coma de Glasgow é uma ferramenta objetiva que mensura o estado de consciência com base em três respostas observáveis do paciente:

  1. Abertura ocular (E – eye opening)

  2. Resposta verbal (V – verbal response)

  3. Resposta motora (M – motor response)

Cada domínio recebe uma pontuação específica, e a soma dos três componentes resulta em um escore total que varia de 3 a 15 pontos:

  • 15 pontos: estado neurológico normal

  • 3 pontos: ausência de respostas detectáveis

A padronização permite uma comparação objetiva entre profissionais, turnos e instituições. A partir dela é possível acompanhar a evolução das respostas neurais após a assistência. 

Quando foi criada a Escala de Coma de Glasgow?

A escala foi desenvolvida em 1974 pelos neurocirurgiões Graham Teasdale e Bryan Jennett na Universidade de Glasgow.

Antes da GCS, a avaliação do nível de consciência era heterogênea, com descrições subjetivas e individuais de cada médico. O objetivo dos autores foi criar um método simples, objetivo, universal e aplicável à beira do leito.

A simplicidade, aliás, é a grande virtude dessa escala, que foi rapidamente incorporada a protocolos internacionais de trauma e passou a integrar diretrizes de atendimento emergencial. Tornou-se padrão mundial e assim permanece até hoje.

1. Abertura ocular (E – eye opening)

Pontuação

Critério clínico

Descrição técnica

4

Espontânea

Abre os olhos sem estímulo externo

3

Ao comando verbal

Abre os olhos quando chamado

2

À dor

Abre os olhos apenas mediante estímulo doloroso

1

Ausente

Não apresenta abertura ocular

  1. Resposta verbal (V – verbal response)

Pontuação

Critério clínico

Descrição técnica

5

Orientado

Responde adequadamente, orientado em tempo, espaço e pessoa

4

Confuso

Responde, mas apresenta desorientação

3

Palavras inapropriadas

Fala palavras isoladas sem contexto adequado

2

Sons incompreensíveis

Emite sons sem formação de palavras

1

Ausente

Não apresenta resposta verbal

  1. Resposta motora (M – motor response)

Pontuação

Critério clínico

Descrição técnica

6

Obedece a comandos

Executa corretamente comandos simples

5

Localiza dor

Direciona a mão ao local do estímulo doloroso

4

Retirada à dor

Retira o membro ao estímulo doloroso

3

Flexão anormal

Postura em decorticação

2

Extensão anormal

Postura em descerebração

1

Ausente

Não apresenta resposta motora

Escore total da GCS

Faixa de pontuação

Classificação clínica

Interpretação

13–15

Lesão leve

Paciente geralmente consciente ou com alteração discreta

9–12

Lesão moderada

Rebaixamento significativo do nível de consciência

≤ 8

Lesão grave

Alto risco neurológico; frequentemente requer proteção de vias aéreas

3

Mínimo possível

Ausência de respostas em todos os domínios

Como interpretar o escore total?

A classificação tradicional da gravidade do traumatismo cranioencefálico (TCE) é:

  • 13–15: lesão leve

  • 9–12: lesão moderada

  • ≤ 8: lesão grave

O ponto de corte ≤ 8 é particularmente relevante, pois frequentemente indica necessidade de proteção de vias aéreas e manejo intensivo.

Por que a Escala de Coma de Glasgow é tão importante na prática clínica?

A relevância da GCS decorre de sua aplicabilidade operacional.

1. Comunicação padronizada

A GCS fornece linguagem técnica objetiva. Ao registrar “GCS 9 (E2 V3 M4)”, a equipe descreve precisamente o estado do paciente, reduzindo ambiguidades.

2. Monitoramento evolutivo

A repetição seriada do escore permite identificar deterioração neurológica precoce, fundamental em:

  • hemorragias intracranianas;

  • edema cerebral;

  • complicações pós-operatórias.

Variações pequenas podem alterar condutas clínicas.

3. Suporte à decisão terapêutica

A pontuação influencia decisões como:

  • necessidade de tomografia de crânio;

  • admissão em UTI;

  • intubação orotraqueal;

  • encaminhamento neurocirúrgico.

4. Valor prognóstico

Embora não seja ferramenta isolada de prognóstico, a GCS integra modelos preditivos amplamente utilizados em trauma e terapia intensiva.

Exemplos clínicos de aplicação prática

Trauma leve

Paciente vítima de queda, acordado, orientado e obedecendo comandos.

  • E4 V5 M6

  • GCS 15

Conduta típica: observação clínica e avaliação conforme protocolo institucional.

Rebaixamento moderado

Paciente confuso, abre os olhos ao chamado e retira membro à dor.

  • E3 V4 M4

  • GCS 11

Conduta: investigação diagnóstica imediata e monitoramento neurológico.

A GCS tem limitações?

Sim. Algumas situações reduzem sua precisão:

  • Pacientes intubados (resposta verbal não avaliável).

  • Uso de sedativos ou bloqueadores neuromusculares.

  • Intoxicações.

  • Barreiras linguísticas.

Por isso, recomenda-se sempre registrar os componentes individualmente (E, V, M) e contextualizar clinicamente.

Escala de Coma de Glasgow na gestão hospitalar

Além do impacto assistencial, a padronização promovida pela GCS tem reflexos administrativos relevantes:

  • Melhora da qualidade da documentação clínica.

  • Redução de inconsistências em auditorias.

  • Apoio à codificação hospitalar.

  • Estruturação de indicadores de gravidade.

Ferramentas como a Escala de Coma de Glasgow demonstram como instrumentos clínicos bem desenhados contribuem não apenas para decisões médicas, mas também para qualidade informacional, governança assistencial e sustentabilidade operacional.

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