
Acreditação hospitalar: o que é, níveis ONA e importância
Do Nível 1 ao Nível 3 da ONA: entenda como a acreditação hospitalar organiza processos assistenciais, fortalece a documentação clínica, reduz glosas técnicas e cria as condições para um ciclo da receita mais sólido e previsível
Acreditação hospitalar é um processo voluntário de avaliação externa, realizado por entidades independentes credenciadas, que verifica se uma instituição de saúde cumpre padrões de qualidade e segurança pré-estabelecidos. Diferentemente das fiscalizações obrigatórias da Anvisa, por exemplo, a acreditação parte de uma iniciativa do próprio hospital.
Para os hospitais que buscam a certificação, o processo representa um reconhecimento externo e ajuda a reorganizar a gestão interna, padronizar processos, reduzir variabilidade clínica e criar condições para um faturamento mais sólido e menos sujeito a contestações.
Como é feita a acreditação hospitalar
Menos de 9% dos hospitais brasileiros têm alguma certificação de acreditação. Em um universo de 7,6 mil instituições registradas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), apenas 667 têm o selo. Apesar de esse número crescer ano a ano, a cultura de qualidade formal ainda está longe de ser universal no setor.
O certificado tem validade determinada e precisa ser renovado periodicamente. Assim, a acreditação é um ciclo de melhoria contínua.
Principais organismos acreditadores no Brasil
ONA (Organização Nacional de Acreditação)
É a referência nacional. Com 425 hospitais certificados, é o organismo com maior penetração no país, presente em todas as regiões e tipos de gestão: 57% dos hospitais acreditados pela ONA são privados, 21% públicos e 19% filantrópicos.
Joint Commission International (JCI)
Um dos selos mais reconhecidos no mundo, com padrões desenvolvidos nos Estados Unidos e adotados em mais de 100 países. No Brasil, cerca de 70 organizações de saúde têm a certificação JCI, concentradas principalmente em grandes hospitais privados.
QGA (Quality Global Alliance)
Acreditadora internacional com presença crescente no Brasil, especialmente entre hospitais de médio porte que buscam uma certificação reconhecida internacionalmente com processo adaptado à realidade local.
Os três níveis de acreditação ONA
O modelo da ONA organiza a certificação em três níveis progressivos, cada um com requisitos mais exigentes que o anterior.
Nível 1 — Acreditado
O nível inicial certifica que a instituição cumpre os requisitos básicos de segurança e qualidade assistencial. O foco está na estrutura: organização dos processos, habilitação dos profissionais, condições de infraestrutura e conformidade com normas regulatórias. É o ponto de partida para hospitais que estão iniciando a jornada de acreditação.
Nível 2 — Acreditado Pleno
O segundo nível avança para a integração entre os processos. Não basta que cada setor funcione bem isoladamente: a instituição precisa demonstrar que as áreas se comunicam, que os processos são rastreáveis e que há evidências de melhoria contínua com base em indicadores. O hospital começa a ser avaliado pela qualidade dos seus resultados, não apenas pela sua estrutura.
Nível 3 — Acreditado com Excelência
O nível mais alto da ONA certifica instituições que, além de cumprir todos os requisitos dos níveis anteriores, demonstram ciclos sistemáticos de melhoria, gestão baseada em evidências e cultura de qualidade disseminada em todos os níveis da organização. É o padrão de referência para hospitais que querem ser reconhecidos como centros de excelência no Brasil.
Como funciona o processo de acreditação
O processo começa antes mesmo do contato com a acreditadora. O hospital precisa fazer uma autoavaliação honesta, identificar as lacunas em relação aos padrões exigidos e estruturar um plano de melhoria. Esse período de preparação pode levar de alguns meses a mais de um ano.
Com a autoavaliação concluída, o hospital contrata uma instituição acreditadora credenciada pela ONA ou diretamente a JCI ou QGA, conforme o organismo escolhido. A acreditadora realiza uma visita de avaliação, que envolve entrevistas com profissionais, inspeção de instalações, análise de prontuários e verificação de indicadores.
Ao final da visita, os avaliadores emitem um relatório com os pontos de conformidade e as não conformidades identificadas. Se a instituição atinge os padrões exigidos, recebe o certificado, que tem validade de dois anos para a ONA. Ao longo desse período, visitas de manutenção verificam se os padrões estão sendo sustentados.
Benefícios da acreditação para o hospital
Qualidade assistencial
Processos padronizados reduzem a variabilidade clínica. Quando os protocolos são claros e seguidos sistematicamente, os desfechos melhoram e os eventos adversos diminuem.
Segurança do paciente
A acreditação exige que o hospital tenha mecanismos ativos de identificação e prevenção de riscos: checklists cirúrgicos, protocolos de higienização, barreiras contra erros de medicação. Os avaliadores verificam se esses mecanismos estão em uso.
Resultado financeiro
Hospitais acreditados têm processos mais organizados, documentação mais robusta e equipes mais treinadas. Isso se traduz em menos retrabalho, menor índice de glosas técnicas e contas mais bem estruturadas. A qualidade assistencial e a qualidade do faturamento caminham juntas quando os processos são bem definidos.
Reputação
A certificação é um sinal claro para operadoras, pacientes e parceiros de que o hospital tem compromisso com padrões reconhecidos. Em negociações contratuais com operadoras, hospitais acreditados costumam ter mais poder de barganha.
Acreditação e o ciclo da receita
Um hospital acreditado tem vantagens claras no ciclo da receita. Processos padronizados geram documentação mais consistente, e documentação consistente sustenta melhor as cobranças. Prontuários completos, registros assistenciais rastreáveis e conformidade com os requisitos das operadoras reduzem o espaço para contestações por pertinência clínica ou insuficiência de registros.
Mas a acreditação não resolve tudo. O certificado atesta que os processos estão estruturados, não que o faturamento está sendo executado corretamente em cada internação. Falhas de codificação, incompatibilidades entre diagnóstico e procedimentos, e ausência de auditoria concorrente continuam gerando glosas mesmo em hospitais acreditados.
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Perguntas frequentes sobre acreditação hospitalar
A acreditação hospitalar é obrigatória no Brasil?
Não. A acreditação é um processo voluntário. Nenhuma legislação federal obriga hospitais a buscar certificação. A decisão parte da própria instituição, motivada por objetivos de qualidade, competitividade ou exigências contratuais de determinadas operadoras.
Qual a diferença entre ONA e JCI?
A ONA é o organismo nacional de referência, com metodologia desenvolvida para a realidade do sistema de saúde brasileiro. A JCI é um organismo americano com padrões internacionais, reconhecido em mais de 100 países. Hospitais que atendem pacientes estrangeiros ou que buscam projeção internacional tendem a preferir a JCI. Para a maioria dos hospitais brasileiros, a ONA é o caminho mais adequado.
Quanto tempo leva para um hospital se acreditar?
Depende do nível buscado e da maturidade atual dos processos. Em geral, o período de preparação até a primeira certificação ONA varia de 12 a 24 meses. Hospitais que já têm processos bem estruturados podem avançar mais rápido; os que estão iniciando do zero precisam de mais tempo para implementar as mudanças necessárias.



