
A glosa é um dos principais pontos de atenção no ciclo da receita hospitalar, pois impacta diretamente o fluxo de caixa e aumenta o retrabalho das equipes administrativas. Entre os diversos tipos existentes, a Glosa 1714 é uma das mais frequentes, especialmente em instituições com alto volume de contas médicas.
Este artigo apresenta, de forma objetiva, o conceito da Glosa 1714, seus principais motivadores, os cuidados necessários antes da abertura de recurso e as melhores práticas para prevenção.
O que é a Glosa 1714?
A Glosa 1714 ocorre quando o valor cobrado por um serviço é superior ao valor previsto na tabela de referência da operadora. Nessa situação, a operadora rejeita total ou parcialmente a cobrança por entender que o montante faturado extrapola o limite contratual acordado.
Esse tipo de glosa está diretamente relacionado à aplicação incorreta de tabelas como TUSS, CBHPM, AMB ou outras referências contratuais, bem como a falhas operacionais no processo de faturamento.
Principais erros que geram a Glosa 1714
Na prática, a Glosa 1714 costuma estar associada a inconsistências que poderiam ser identificadas antes do envio da conta. Entre as mais recorrentes estão erros de digitação nos valores dos procedimentos, aplicação de reajustes não homologados pela operadora e cobrança de honorários médicos acima do padrão previsto em contrato.
Também são frequentes os casos de seleção incorreta de códigos de procedimento, especialmente quando se utiliza um código mais complexo ou de maior valor que o efetivamente executado. Soma-se a isso a cobrança de materiais e medicamentos com base em preços de mercado, quando o contrato estabelece o uso de tabelas referenciais específicas.
Outro ponto crítico é o uso inadequado de multiplicadores, seja por quantidade incorreta, seja por porte cirúrgico errado ou acréscimos indevidos. Por fim, inconsistências no preenchimento das guias, como a inversão entre valor unitário e valor total, seguem como uma causa relevante desse tipo de glosa.
A Glosa 1714 pode ser erro da operadora?
Sim. Nem toda Glosa 1714 decorre de falha do prestador. Em alguns casos, a origem está em tabelas desatualizadas no sistema da operadora, reajustes contratuais que não foram corretamente aplicados ou alterações contratuais realizadas sem comunicação adequada.
Nessas situações, a glosa pode ser considerada indevida, exigindo análise criteriosa antes de qualquer ação corretiva por parte da instituição.
O risco das glosas lineares
Um ponto de atenção relevante é a aplicação de glosas lineares, quando a operadora reduz valores de forma automática e generalizada, sem justificativa técnica individualizada. Esse tipo de prática pode atingir contas corretas e gerar perdas financeiras significativas se não for identificada a tempo.
Por esse motivo, a análise prévia da glosa é fundamental antes da abertura de qualquer recurso administrativo.
O que fazer ao receber uma Glosa 1714?
Ao identificar uma Glosa 1714, a instituição deve inicialmente revisar os demonstrativos de pagamento e confrontar os valores glosados com as tabelas contratuais vigentes. Também é recomendável verificar se há indícios de glosa linear ou inconsistência operacional por parte da operadora.
Quando necessário, o contato direto com a operadora pode esclarecer divergências de interpretação e evitar a abertura de recursos desnecessários.
Como prevenir a Glosa 1714 no faturamento hospitalar
A prevenção da Glosa 1714 depende de processos bem estruturados e governança sobre o faturamento. A atualização constante das tabelas nos sistemas, a validação automática de valores e a auditoria prévia das contas são medidas essenciais para reduzir esse risco.
Além disso, qualquer exceção à tabela padrão deve estar formalmente pactuada e documentada em contrato ou aditivo. A capacitação contínua das equipes de faturamento e a comunicação proativa com as operadoras também contribuem de forma significativa para a redução de glosas desse tipo.
Como recorrer da Glosa 1714, quando necessário
Quando a análise confirma que a glosa é indevida, o recurso administrativo deve ser estruturado de forma técnica e documental. É indispensável reunir prontuários, laudos e relatórios que comprovem a realização e a necessidade do serviço, além de fundamentar o pedido com base contratual e normativa.
O recurso deve ser protocolado dentro dos prazos estabelecidos, com acompanhamento ativo junto à operadora. Em casos recorrentes ou de maior impacto financeiro, o apoio jurídico especializado pode ser indicado.



