
Glosa 1714: quais as melhores formas de evitá-la?
Aprenda a identificar as divergências de valores entre o faturamento e as tabelas contratuais das operadoras para reduzir recusas de pagamento e garantir a integridade do fluxo de caixa por meio de auditorias prévias
A glosa 1714 é uma das negativas mais frequentes no faturamento hospitalar. Ela ocorre quando o valor cobrado por um serviço é superior ao previsto na tabela de referência da operadora, gerando rejeição total ou parcial da cobrança. Para hospitais com alto volume de contas, esse código de glosa representa perda recorrente de receita, retrabalho de auditoria e pressão sobre o fluxo de caixa.
Segundo o Observatório Anahp 2025, o índice de glosa aceita em hospitais de médio e grande porte chegou a 1,96% da receita bruta convencional em 2024, contra 0,78% em 2021. Glosas por divergência de valores, como a 1714, figuram entre as principais causas desse crescimento e, ao mesmo tempo, entre as mais evitáveis com processos corretos.
Este artigo apresenta o conceito da glosa 1714, suas causas mais recorrentes, o que verificar antes de abrir um recurso e as melhores práticas para preveni-la.
O que é a glosa 1714?
A glosa 1714 é o código utilizado pelas operadoras de saúde para sinalizar que o valor cobrado pelo prestador (hospital, clínica ou laboratório) ultrapassa o limite previsto na tabela contratual. A rejeição pode ser total, quando o valor inteiro está acima do limite, ou parcial, quando a operadora paga o valor máximo contratual e glosa o excedente.
Esse tipo de glosa está diretamente associado à aplicação de tabelas como TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar), CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos), AMB ou outras referências definidas em contrato.
Qualquer divergência entre o valor faturado e o teto dessas tabelas abre caminho para a glosa 1714. Para uma visão mais ampla sobre os tipos de glosa, veja Glosas: saiba o que são e como é possível evitá-las.
Principais erros que geram a glosa 1714
Na prática, a glosa 1714 costuma ter origem em inconsistências identificáveis antes do envio da conta. A tabela abaixo resume as causas mais recorrentes, como cada uma se manifesta e a ação preventiva correspondente:
Causa | Como se manifesta | Como prevenir |
Valor acima da tabela contratual | Cobrança de procedimento ou material em valor superior ao previsto no contrato com a operadora | Atualizar as tabelas nos sistemas a cada reajuste homologado; validar valores antes do envio |
Reajuste não homologado | Aplicação de reajuste de tabela (ex: CBHPM) sem que a operadora tenha aprovado o novo percentual | Formalizar reajustes em aditivo contratual antes de aplicá-los no faturamento |
Código de maior complexidade | Uso de código TUSS correspondente a procedimento mais complexo e de maior valor que o efetivamente realizado | Auditar a aderência entre o procedimento executado e o código faturado antes do envio |
Material/medicamento fora da tabela referencial | Cobrança com base em preço de mercado quando o contrato exige uso de Brasíndice, SIMPRO ou outra tabela específica | Configurar o sistema para aplicar automaticamente a tabela referencial prevista em cada contrato |
Multiplicadores incorretos | Porte cirúrgico errado, quantidade duplicada ou acréscimos indevidos de honorários | Revisar a parametrização de portes e multiplicadores por operadora no sistema de faturamento |
Inversão unitário/total | Preenchimento da guia com o valor total no campo unitário, multiplicando o erro pelo número de itens | Checklist de conferência obrigatório antes do envio de contas com itens em quantidade |
A glosa 1714 pode ser erro da operadora?
Sim. A origem da glosa nem sempre está no prestador. Em alguns casos, a operadora aplica a negativa por razões que independem do faturamento hospitalar:
Tabelas com valores desatualizados no sistema da operadora, que ainda refletem reajustes anteriores não incorporados.
Reajustes contratuais homologados pelo prestador, mas que ainda não foram processados no sistema da operadora.
Alterações contratuais realizadas pela operadora sem comunicação formal ao prestador, gerando divergência entre a tabela usada no faturamento e a tabela vigente para o pagamento.
Nesses casos, a glosa é considerada indevida. A análise criteriosa da origem é o passo fundamental antes de qualquer ação corretiva interna ou abertura de recurso.
O risco das glosas lineares
Um ponto de atenção é a aplicação de glosas lineares: reduções automáticas e generalizadas de valores por parte da operadora, sem análise individualizada de cada conta. Quando isso ocorre, contas corretas são glosadas junto com as que de fato apresentam divergência, gerando perdas financeiras que passam despercebidas sem um monitoramento ativo.
A identificação de padrões lineares exige o cruzamento de dados entre as contas glosadas: se a redução aplicada for proporcional e uniforme entre contas de naturezas diferentes, o padrão sugere glosa linear. Nessa situação, o recurso administrativo deve ser aberto com base contratual e documental, contestando a prática em bloco.
O que fazer ao receber uma glosa 1714?
Ao identificar a glosa 1714 em um demonstrativo de pagamento, o processo de análise deve seguir esta sequência:
Compare o valor faturado com a tabela contratual vigente. Acesse o contrato com a operadora e verifique se o valor cobrado estava dentro do limite permitido na data da prestação do serviço.
Identifique a natureza da divergência. A discrepância é de código, de valor, de multiplicador ou de tabela referencial? Cada causa exige uma abordagem distinta na correção ou no recurso.
Verifique se há indício de glosa linear. Analise se o padrão de redução se repete em múltiplas contas da mesma operadora, com percentual uniforme, o que indicaria aplicação automática.
Confirme se houve erro operacional interno. Se a origem estiver no faturamento, corrija o processo antes de protocolar recurso. Enviar um recurso sobre um erro próprio enfraquece a relação com a operadora.
Contate a operadora se houver dúvida sobre a tabela vigente. Em casos de divergência de interpretação contratual, o contato direto pode resolver sem necessidade de recurso formal.
Como prevenir a glosa 1714 no faturamento hospitalar
A prevenção da glosa 1714 é um problema de governança sobre o faturamento, não apenas de revisão pontual de contas. As ações com maior impacto são:
Atualização sistemática das tabelas nos sistemas: cada reajuste de tabela referencial (Brasíndice, SIMPRO, CBHPM, AMB) deve ser incorporado ao sistema de faturamento antes de qualquer envio de conta.
Validação automática de valores antes do envio: ferramentas que cruzam os valores faturados com os tetos contratuais de cada operadora, em tempo real, eliminam a maioria das glosas 1714 antes que elas ocorram.
Formalização de exceções em contrato: qualquer cobrança fora da tabela padrão, como honorários especiais ou materiais específicos, deve estar prevista em cláusula contratual ou aditivo assinado.
Capacitação contínua do time de faturamento: as regras contratuais mudam. A equipe precisa conhecer as especificidades de cada operadora, especialmente em contratos de maior volume.
Monitoramento de indicadores por operadora: acompanhar a taxa de glosa 1714 por operadora permite identificar padrões recorrentes e negociar correções contratuais quando o problema tiver origem no sistema da operadora.
Como recorrer da glosa 1714
Quando a análise confirma que a glosa é indevida, ou seja, o valor faturado estava dentro do limite contratual, o recurso deve ser estruturado com base técnica e documental:
Documentação de suporte: contrato vigente com a operadora, tabela de referência aplicável à data da prestação, demonstrativo do valor faturado e prontuário ou relatório do procedimento.
Fundamentação contratual: cite a cláusula ou o anexo contratual que sustenta o valor cobrado. Recursos sem ancoragem contratual têm baixa taxa de reversão.
Protocolo dentro do prazo: cada operadora define um prazo para apresentação de recursos. O descumprimento inviabiliza a contestação, independentemente do mérito.
Acompanhamento ativo: recursos sem acompanhamento tendem a prescrever. Registre os prazos de resposta e escalone internamente quando não houver retorno.
Para um guia completo sobre o processo de contestação, veja Recurso de glosa: como controlar e recuperar valores.
Glosa 1714 é evitável com processos e tecnologia certos
A glosa 1714 geralmente é reflexo de desalinhamento entre o faturamento e as regras contratuais de cada operadora. Tabelas desatualizadas, multiplicadores incorretos e exceções sem formalização respondem pela maioria dos casos. Com processos validados e tecnologia de auditoria prévia, esse tipo de glosa deixa de ser uma ocorrência recorrente.
A plataforma de IA da Rivio automatiza a auditoria e o faturamento hospitalar: identifica divergências de valor antes do envio, cruza dados clínicos com as regras contratuais de cada operadora e gerencia os recursos de glosa de forma automática.
Em contrato, a Rivio se compromete a ressarcir o hospital em 100% nos casos em que a glosa não for revertida.
FAQ: perguntas frequentes sobre a glosa 1714
O que significa a glosa 1714?
A glosa 1714 é o código de negativa de pagamento utilizado pelas operadoras de saúde quando o valor cobrado pelo prestador excede o teto previsto na tabela contratual. A rejeição pode ser total ou parcial, dependendo da magnitude da divergência.
Quais as principais causas da glosa 1714?
As causas mais frequentes são: valor cobrado acima da tabela contratual, aplicação de reajuste não homologado pela operadora, uso de código TUSS de maior valor que o procedimento realizado, cobrança de materiais fora da tabela referencial prevista em contrato e multiplicadores incorretos (porte cirúrgico ou quantidade).
A glosa 1714 sempre indica erro do hospital?
Não. Em alguns casos, a glosa decorre de falhas no sistema da operadora, como tabelas desatualizadas ou reajustes homologados que ainda não foram incorporados ao processamento. Antes de corrigir qualquer processo interno, é necessário identificar a origem real da divergência.
O que é glosa linear e qual a relação com a glosa 1714?
Glosa linear é a redução automática e generalizada de valores aplicada pela operadora, sem análise individualizada de cada conta. Ela pode gerar glosa 1714 em contas corretas, representando uma prática contratualmente questionável. Identificar o padrão linear é fundamental para estruturar um recurso eficaz.
Como evitar a glosa 1714?
As principais ações são: manter as tabelas referenciais atualizadas nos sistemas, validar os valores faturados contra os tetos contratuais antes do envio, formalizar em contrato qualquer exceção à tabela padrão e monitorar a taxa de glosa por operadora para identificar padrões recorrentes.



