3 de ago. de 2025
Gestão hospitalar
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A Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, ou CBHPM, elaborada pela Associação Médica Brasileira (AMB) em 2003, surgiu para suprir a necessidade da valoração do trabalho médico frente ao sistema de saúde complementar.
Antes de sua implementação, os valores atribuídos aos procedimentos sofriam ajustes frequentes conforme decisões unilaterais das operadoras, o que gerava distorções, desvalorização do ato médico e impactos diretos na qualidade da assistência prestada.
Conheça neste artigo o detalhamento da metodologia para cálculo de portes na CBHPM.
Lista de requisitos
Os procedimentos são codificados e organizados em quatro grandes capítulos:
Procedimentos gerais.
Procedimentos clínicos.
Procedimentos cirúrgicos e invasivos.
Procedimentos diagnósticos e terapêuticos.
Cada procedimento é classificado segundo seu grau de complexidade em 14 portes, numerados de 1 a 14. Cada porte, por sua vez, é subdividido em três níveis: A, B e C, que refinam a hierarquização conforme o esforço técnico e assistencial envolvido.
Para realizar esta metodologia de cálculo e revisão de portes na CBHPM, deve-se seguir uma criteriosa lista de requisitos, que somam pontos de acordo com a complexidade de cada critério. Entenda os requisitos e a distribuição de seus pontos (nem todos os critérios são aplicáveis a todos os procedimentos).
Formação do profissional médico e curva de aprendizado
Baixa complexidade: 4 pontos.
Média complexidade: 6 pontos.
Alta complexidade: 8 pontos.
Preparo pré-operatório
Baixa complexidade (ambulatorial): 3 pontos.
Média complexidade (avaliação clínica prévia ou por outra especialidade): 4 pontos.
Alta complexidade (intervenções prévias superiores a um dia ou avaliações que influenciem decisões técnicas): 5 pontos.
Preparo do ato operatório
Inclui posicionamento complexo do paciente, necessidade de aparelhagem específica ou liberação anestésica.
Até 30 minutos: 2 pontos.
De 30 minutos a 1 hora: 4 pontos.
Mais de 1 hora: 5 pontos.
Tempo médio do ato cirúrgico
(da incisão ao término da sutura)
Menos de 1 hora: 1 ponto.
Até 2 horas: 2 pontos.
Até 4 horas: 4 pontos.
Mais de 4 horas: 8 pontos.
Risco transoperatório do ato
Baixo risco: 2 pontos.
Médio risco: 4 pontos.
Alto risco: 8 pontos.
Cuidados hospitalares subsequentes
Alta precoce ou ausência de cuidados relevantes nas primeiras 12 horas: 1 ponto.
Cuidados simples, com alta no primeiro dia pós-operatório: 2 pontos.
Cuidados de média complexidade nos dias subsequentes: 3 pontos.
Cuidados intensivos, incluindo UTI ou demanda superior a uma hora de assistência clínica/enfermagem: 4 pontos.
Cuidados pós-operatórios fora do hospital
Curativo, retirada de sutura e avaliação final em até um mês: 1 ponto.
Múltiplas avaliações em até um mês: 2 pontos.
Avaliações múltiplas que excedem quatro meses: 4 pontos.
Risco de complicações e processos judiciais
Baixa: 1 ponto.
Média: 2 pontos
Alta: 4 pontos.
Exposição à radiação
De 1 a 6 incidências: 2 pontos.
De 7 a 16 incidências: 3 pontos.
17 ou mais incidências: 4 pontos.
Composição de pontos
A partir da somatória total dos pontos, define-se o porte e sua respectiva subdivisão na CBHPM, conforme a tabela de enquadramento oficial. Cada faixa de pontuação corresponde a um porte específico, do 3A ao 13C, refletindo com maior precisão a complexidade técnica, o risco e o esforço assistencial do procedimento.
Essa metodologia busca reduzir distorções históricas, promover maior equidade na remuneração médica e criar um padrão técnico de referência para negociações no sistema de saúde suplementar.
PONTOS | CBHPM |
|---|---|
14 | 3A |
15 | 3B |
16 | 3C |
17 | 4A |
18 | 4B |
19 | 4C |
20 | 5A |
21 | 5B |
22 | 5C |
23 | 6A |
24 | 6B |
25 | 6C |
26 | 7A |
27 | 7B |
28 | 7C |
29 | 8A |
30 | 8B |
31 | 8C |
32 | 9A |
33 | 9B |
34 | 9C |
35 | 10A |
36 | 10B |
37 | 10C |
38 | 11A |
39 | 11B |
40 | 11C |
41 | 12A |
42 | 12B |
43 | 12C |
44 | 13A |
45 | 13B |
46 | 13C |



