
Autorização de Internação Hospitalar (AIH): conheça as regras
Conheça as regras, etapas de autorização, campos obrigatórios e impacto no faturamento hospitalar. Entenda como o correto preenchimento dessa documentação ajuda a reduzir glosas, fortalecer a auditoria e proteger o ciclo da receita.
Quem já vivenciou uma internação hospitalar percebeu a quantidade de documentos, assinaturas, registros e validações envolvidas nesse processo. O cruzamento de dados entre sistemas assistenciais, administrativos e regulatórios é indispensável para garantir segurança do paciente, rastreabilidade do cuidado e conformidade legal.
Entre esses instrumentos, a Autorização de Internação Hospitalar (AIH) ocupa posição central. Trata-se do documento que formaliza a internação no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e viabiliza o processamento e o pagamento dos serviços prestados. Entenda neste artigo as regras, etapas e pontos críticos relacionados à AIH.
O que é AIH e quais etapas o documento percorre?
A AIH é o instrumento utilizado no SUS para autorizar, registrar e remunerar internações hospitalares. Ela integra o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) e está vinculada à tabela SIGTAP (Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS).
O processo tem início na decisão clínica de internação. Quando o médico identifica a necessidade de hospitalização, ele preenche e assina o laudo de solicitação/AIH, indicando:
diagnóstico principal (CID-10);
diagnósticos secundários, quando aplicáveis;
procedimento proposto;
justificativa clínica;
dados do paciente.
A partir desse ponto, o fluxo envolve dimensões assistenciais e administrativas:
Solicitação e laudo
O médico descreve o quadro clínico e fundamenta a necessidade de internação, assumindo responsabilidade técnica pelas informações registradas.
Autorização
O pedido é encaminhado ao órgão autorizador ou setor de regulação municipal/estadual. Havendo conformidade com os critérios assistenciais e administrativos, é emitido o número da AIH.
Registro durante a internação
Todos os procedimentos realizados, intercorrências, uso de UTI, exames e permanência hospitalar ficam vinculados à AIH, compondo base para auditoria e faturamento.
Encerramento e processamento
Após a alta (por melhora, transferência ou óbito), a AIH é encerrada com o resumo da internação. O hospital envia os dados ao SIH/SUS para processamento e posterior repasse financeiro.
Um fluxo bem executado reduz inconsistências, evita bloqueios no processamento e preserva a sustentabilidade financeira da instituição.
Quais são os principais campos obrigatórios da AIH?
O preenchimento correto da AIH é determinante para evitar glosas e rejeições no processamento. Entre os campos críticos estão:
identificação do paciente (nome completo, CNS, data de nascimento);
código do estabelecimento (CNES);
município de residência;
caráter da internação (eletiva ou urgência);
CID-10 principal e secundários;
procedimento principal autorizado (código SIGTAP);
data de admissão e alta;
motivo de encerramento;
identificação e assinatura do médico responsável.
Inconsistências entre o prontuário e os dados lançados na AIH são causa frequente de bloqueios administrativos. Por isso, a conferência cruzada entre equipe assistencial e faturamento é etapa estratégica.
Quais erros mais geram glosas e bloqueios na AIH?
Do ponto de vista da auditoria e do faturamento hospitalar, os principais problemas incluem:
CID incompatível com o procedimento realizado;
procedimento fora do perfil assistencial habilitado no CNES;
divergência entre datas de internação e registros no prontuário;
ausência de justificativa para permanência prolongada;
uso indevido de procedimentos especiais ou UTI sem critério documentado.
Essas falhas podem gerar:
glosas técnicas;
rejeição no processamento do SIH;
necessidade de reapresentação da AIH;
impacto direto na receita hospitalar.
Portanto, a qualidade do preenchimento da AIH não é apenas uma exigência burocrática, mas um fator que influencia o ciclo de receita.
Modelo simplificado de AIH (exemplo ilustrativo)
Abaixo, um modelo didático e simplificado para fins de compreensão:
Seção | Campo | Exemplo Preenchido |
Identificação do paciente | Nome | Maria de Souza Silva |
CNS | 123 4567 8901 2345 | |
Data de nascimento | 12/03/1972 | |
Município de residência | Fortaleza/CE | |
Identificação do estabelecimento | Hospital | Hospital Municipal São Lucas |
CNES | 1234567 | |
Dados da internação | Caráter | Urgência |
Data de admissão | 05/02/2026 | |
Data de alta | 09/02/2026 | |
Motivo da alta | Melhora clínica | |
Diagnóstico | CID-10 principal | J18.9 – Pneumonia não especificada |
CID-10 secundário | E11.9 – Diabetes mellitus tipo 2 | |
Procedimento Principal | Código SIGTAP | 03.03.01.009-0 |
Descrição | Tratamento de pneumonia | |
Responsável Técnico | Médico solicitante | Dr. João Pereira |
CRM | 12345 | |
Assinatura | _______________________ |
Esse modelo resume os campos essenciais, mas a AIH real tem estrutura padronizada pelo Datasus e regras específicas de processamento.
Qual é o impacto da AIH na gestão hospitalar?
A AIH é um ponto de integração entre assistência, regulação e faturamento. Sua correta emissão garante a rastreabilidade do cuidado, sustenta a auditoria interna e externa, protege a instituição contra perdas financeiras e estrutura indicadores confiáveis de produção hospitalar.
Instituições que tratam a AIH como mero formulário acumulam retrabalho, inconsistências e glosas. Quando integrada a uma estratégia de governança de dados, ela se torna instrumento de controle operacional e fortalece a previsibilidade do ciclo da receita.



