Autorização de Internação Hospitalar (AIH): conheça as regras

Autorização de Internação Hospitalar (AIH): conheça as regras

Autorização de Internação Hospitalar (AIH): conheça as regras

Conheça as regras, etapas de autorização, campos obrigatórios e impacto no faturamento hospitalar. Entenda como o correto preenchimento dessa documentação ajuda a reduzir glosas, fortalecer a auditoria e proteger o ciclo da receita.

Rivio

Redação

11 de fev. de 2026

5 minutos

11 de fev. de 2026

5 minutos

Quem já vivenciou uma internação hospitalar percebeu a quantidade de documentos, assinaturas, registros e validações envolvidas nesse processo. O cruzamento de dados entre sistemas assistenciais, administrativos e regulatórios é indispensável para garantir segurança do paciente, rastreabilidade do cuidado e conformidade legal.

Entre esses instrumentos, a Autorização de Internação Hospitalar (AIH) ocupa posição central. Trata-se do documento que formaliza a internação no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e viabiliza o processamento e o pagamento dos serviços prestados. Entenda neste artigo as regras, etapas e pontos críticos relacionados à AIH. 

O que é AIH e quais etapas o documento percorre?

A AIH é o instrumento utilizado no SUS para autorizar, registrar e remunerar internações hospitalares. Ela integra o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) e está vinculada à tabela SIGTAP (Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS).

O processo tem início na decisão clínica de internação. Quando o médico identifica a necessidade de hospitalização, ele preenche e assina o laudo de solicitação/AIH, indicando:

  • diagnóstico principal (CID-10);

  • diagnósticos secundários, quando aplicáveis;

  • procedimento proposto;

  • justificativa clínica;

  • dados do paciente.

A partir desse ponto, o fluxo envolve dimensões assistenciais e administrativas:

Solicitação e laudo

O médico descreve o quadro clínico e fundamenta a necessidade de internação, assumindo responsabilidade técnica pelas informações registradas.

Autorização

O pedido é encaminhado ao órgão autorizador ou setor de regulação municipal/estadual. Havendo conformidade com os critérios assistenciais e administrativos, é emitido o número da AIH.

Registro durante a internação

Todos os procedimentos realizados, intercorrências, uso de UTI, exames e permanência hospitalar ficam vinculados à AIH, compondo base para auditoria e faturamento.

Encerramento e processamento

Após a alta (por melhora, transferência ou óbito), a AIH é encerrada com o resumo da internação. O hospital envia os dados ao SIH/SUS para processamento e posterior repasse financeiro.

Um fluxo bem executado reduz inconsistências, evita bloqueios no processamento e preserva a sustentabilidade financeira da instituição.

Quais são os principais campos obrigatórios da AIH?

O preenchimento correto da AIH é determinante para evitar glosas e rejeições no processamento. Entre os campos críticos estão:

  • identificação do paciente (nome completo, CNS, data de nascimento);

  • código do estabelecimento (CNES);

  • município de residência;

  • caráter da internação (eletiva ou urgência);

  • CID-10 principal e secundários;

  • procedimento principal autorizado (código SIGTAP);

  • data de admissão e alta;

  • motivo de encerramento;

  • identificação e assinatura do médico responsável.

Inconsistências entre o prontuário e os dados lançados na AIH são causa frequente de bloqueios administrativos. Por isso, a conferência cruzada entre equipe assistencial e faturamento é etapa estratégica. 

Quais erros mais geram glosas e bloqueios na AIH?

Do ponto de vista da auditoria e do faturamento hospitalar, os principais problemas incluem:

  • CID incompatível com o procedimento realizado;

  • procedimento fora do perfil assistencial habilitado no CNES;

  • divergência entre datas de internação e registros no prontuário;

  • ausência de justificativa para permanência prolongada;

  • uso indevido de procedimentos especiais ou UTI sem critério documentado.

Essas falhas podem gerar:

  • glosas técnicas;

  • rejeição no processamento do SIH;

  • necessidade de reapresentação da AIH;

  • impacto direto na receita hospitalar.

Portanto, a qualidade do preenchimento da AIH não é apenas uma exigência burocrática, mas um fator que influencia o ciclo de receita. 

Modelo simplificado de AIH (exemplo ilustrativo)

Abaixo, um modelo didático e simplificado para fins de compreensão:

Seção

Campo

Exemplo Preenchido

Identificação do paciente

Nome

Maria de Souza Silva


CNS

123 4567 8901 2345


Data de nascimento

12/03/1972


Município de residência

Fortaleza/CE

Identificação do estabelecimento

Hospital

Hospital Municipal São Lucas


CNES

1234567

Dados da internação

Caráter

Urgência


Data de admissão

05/02/2026


Data de alta

09/02/2026


Motivo da alta

Melhora clínica

Diagnóstico

CID-10 principal

J18.9 – Pneumonia não especificada


CID-10 secundário

E11.9 – Diabetes mellitus tipo 2

Procedimento Principal

Código SIGTAP

03.03.01.009-0


Descrição

Tratamento de pneumonia

Responsável Técnico

Médico solicitante

Dr. João Pereira


CRM

12345


Assinatura

_______________________

Esse modelo resume os campos essenciais, mas a AIH real tem estrutura padronizada pelo Datasus e regras específicas de processamento.

Qual é o impacto da AIH na gestão hospitalar?

A AIH é um ponto de integração entre assistência, regulação e faturamento. Sua correta emissão garante a rastreabilidade do cuidado, sustenta a auditoria interna e externa, protege a instituição contra perdas financeiras e estrutura indicadores confiáveis de produção hospitalar.

Instituições que tratam a AIH como mero formulário acumulam retrabalho, inconsistências e glosas. Quando integrada a uma estratégia de governança de dados, ela se torna instrumento de controle operacional e fortalece a previsibilidade do ciclo da receita. 

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