Prescrição digital: o que é e como validar

Prescrição digital: o que é e como validar

Prescrição digital: o que é e como validar

Rivio

Redação

27 de jan. de 2026

5 minutos

27 de jan. de 2026

5 minutos

Com a consolidação da telemedicina e a necessidade de maior segurança jurídica na assistência à saúde, a prescrição digital ganhou relevância no Brasil nesta década. Regulada por conselhos profissionais e por normas federais, ela é válida em todo o território nacional, desde que atenda a critérios técnicos e legais que garantam a autenticidade, a integridade e a autoria do documento.

Este artigo reúne as principais diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre prescrição digital, explica como validar uma receita eletrônica e esclarece as diferenças entre documentos digitais nativos e prescrições apenas escaneadas.

O que é prescrição digital?

A prescrição digital é a emissão de uma receita médica ou odontológica em meio eletrônico, assinada com assinatura eletrônica qualificada, baseada em certificado digital no padrão ICP-Brasil.

Diferentemente de uma receita enviada por foto ou PDF simples, a prescrição digital nasce em ambiente eletrônico e incorpora metadados criptográficos que permitem verificar sua integridade, autenticidade e autoria ao longo de todo o seu ciclo de uso.

O que o CFM define sobre a prescrição digital?

O CFM regulamenta a prescrição digital por meio de resoluções e normativas que tratam da prática médica digital, com destaque para:

  • Resolução CFM nº 2.299/2021, que dispõe sobre a digitalização e a guarda de documentos médicos;

  • Resolução CFM nº 2.314/2022, que regulamenta a telemedicina no Brasil.

De acordo com essas normas e com a legislação federal vigente, para que uma prescrição digital tenha validade jurídica, ela deve conter obrigatoriamente:

  • Assinatura eletrônica qualificada, com certificado digital ICP-Brasil;

  • Identificação completa do profissional, incluindo nome, CRM e UF;

  • Identificação do paciente, com nome completo e dados necessários;

  • Integridade do documento, sem possibilidade de alteração após a assinatura.

Qual a diferença entre prescrição digital e receita escaneada?

Tabela comparativa

Característica

Prescrição digital

Receita escaneada (foto ou PDF simples)

Origem

Criada digitalmente em plataforma própria

Criada em papel e posteriormente digitalizada

Assinatura

Eletrônica qualificada (ICP-Brasil)

Manuscrita (apenas imagem da assinatura)

Validade jurídica

Plena, conforme a Lei nº 14.063/2020

Frágil e sujeita à aceitação local

Verificação

QR Code ou validador oficial

Apenas visual, com risco de fraude

Uso em medicamentos controlados

Permitido, conforme normas da Anvisa

Restrito ou proibido

 

Prescrição digital exige certificado digital?

Sim. A validade legal da prescrição médica digital depende do uso de assinatura eletrônica qualificada, conforme definido pela Lei nº 14.063/2020.

Na prática, isso significa que o profissional deve utilizar um certificado digital ICP-Brasil, geralmente dos tipos A1 ou A3. Esse padrão garante três princípios essenciais:

  1. Autenticidade, ao identificar inequivocamente o autor da prescrição;

  2. Integridade, assegurando que o conteúdo não foi alterado;

  3. Não repúdio, impedindo a negação da autoria do documento.

Como validar uma prescrição digital?

A validação é o processo realizado por farmácias, operadoras de saúde ou instituições para confirmar a legitimidade do documento.

Os métodos mais comuns são:

Validação por QR Code

Presente na maioria das prescrições digitais, o QR Code direciona para o ambiente oficial de validação, exibindo o documento original e o status da assinatura.

Validação pela infraestrutura do ITI

O governo federal, por meio do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), mantém o Validador de Documentos Digitais, integrado à ICP-Brasil e aos conselhos profissionais. Nele, é possível verificar a assinatura eletrônica qualificada por meio do upload do arquivo PDF.

Prescrição digital vale para medicamentos controlados?

Sim, com observações importantes. A Portaria SVS/MS nº 344/1998 e suas atualizações permitem o uso de prescrições digitais para medicamentos controlados, desde que assinadas com certificado digital ICP-Brasil.

Entretanto, alguns tipos de notificação de receita, como A (amarela) e B1/B2 (azul), ainda podem exigir procedimentos específicos ou complementares, a depender da jurisdição e das normas sanitárias locais, embora o uso digital esteja em processo de ampliação.

Prescrição digital no CFO e em outras áreas da saúde

O Conselho Federal de Odontologia (CFO) adota o mesmo entendimento jurídico, exigindo assinatura eletrônica qualificada para prescrições digitais.

Outros profissionais de saúde, como enfermeiros e farmacêuticos, quando autorizados a prescrever dentro de seu escopo legal, também devem seguir o padrão ICP-Brasil para garantir validade jurídica e rastreabilidade em prontuários e receitas.

Benefícios da prescrição digital para o sistema de saúde

Além dos ganhos regulatórios, a prescrição digital gera benefícios práticos para todo o sistema de saúde, especialmente quando integrada a fluxos assistenciais e administrativos:

  • Segurança do paciente, ao eliminar erros de interpretação de caligrafia;

  • Eficiência operacional, com integração a prontuários eletrônicos (PEP);

  • Redução de fraudes, ao dificultar falsificação de carimbos e assinaturas;

  • Rastreabilidade, facilitando auditorias e controle de dispensação. 

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