Como os planos de saúde podem aderir ao atendimento pelo SUS

Como os planos de saúde podem aderir ao atendimento pelo SUS

Como os planos de saúde podem aderir ao atendimento pelo SUS

Rivio

Redação

7 de out. de 2025

5 minutos

7 de out. de 2025

5 minutos

A partir de 1º de agosto de 2025, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ganharam o direito de ser atendidos em clínicas e hospitais privados conveniados às operadoras de planos de saúde, sem custos adicionais.

O modelo permite que operadoras convertam R$ 750 milhões em dívidas de ressarcimento ao SUS, referentes a procedimentos que deveriam ser pagos pelas seguradoras

Conheça os detalhes e implicações da nova medida para o equilíbrio entre o setor público, a saúde suplementar e os prestadores privados.

Programa une SUS e planos para reduzir filas e abater dívidas

Batizado de “Agora Tem Especialistas”, o novo programa é fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Seu objetivo é reduzir as filas do SUS em especialidades de alta demanda, como oftalmologia, ortopedia, cardiologia, ginecologia, oncologia e otorrinolaringologia.

As operadoras que aderirem à iniciativa poderão abater suas dívidas com o Ministério da Saúde por meio da prestação direta de serviços, sem repasse financeiro. O modelo prevê que os atendimentos sejam realizados em unidades privadas já credenciadas aos planos, desde que sigam os critérios técnicos e operacionais definidos pelo governo federal.

Como vai funcionar o programa?

O paciente não precisa se inscrever ou contratar plano de saúde diretamente, pois o acesso será organizado pelas unidades do SUS de referência, que informarão ao paciente onde ele será atendido.

O atendimento seguirá o fluxo integral do SUS:

  1. O paciente é atendido em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

  2. O médico avalia a necessidade de encaminhamento para especialista.

  3. A solicitação é inserida na central de regulação estadual ou municipal.

  4. O paciente é encaminhado, conforme critérios clínicos e de prioridade, a uma unidade privada credenciada.

Participação das operadoras é voluntária

A adesão das operadoras é facultativa, e a seleção será feita com base em edital público. Para participar, as operadoras deverão comprovar capacidade técnica e logística para realizar, no mínimo, 100 mil atendimentos mensais, podendo o número ser reduzido para 50 mil em regiões menos assistidas.

Cada operadora deverá apresentar uma proposta de matriz de oferta que atenda às necessidades do SUS. A prestação dos serviços será certificada por meio de um documento eletrônico — o Certificado de Obrigação de Ressarcimento (COR) — que validará o abatimento da dívida somente após a conclusão do atendimento completo.

Integração com a plataforma de dados do SUS

Como parte da política de integração de dados em saúde, os atendimentos realizados pelas operadoras privadas também serão incorporados à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Essa unificação permitirá que os registros clínicos estejam acessíveis tanto para profissionais quanto para os próprios pacientes, favorecendo a continuidade do cuidado e evitando retrabalhos ou exames desnecessários.

A previsão do Ministério da Saúde é que essa integração comece a partir de outubro de 2025, com impacto direto na eficiência dos fluxos assistenciais e na qualidade da informação disponível para a gestão pública.

O que esperar nos próximos meses?

  • A publicação do edital com regras de adesão sai nos próximos dias;

  • As operadoras poderão se cadastrar ainda em agosto;

  • Os primeiros atendimentos estão previstos para as próximas semanas, conforme a adesão das operadoras e organização local das ofertas.

Impactos para o setor de saúde suplementar

Para as operadoras de planos de saúde, o programa representa uma alternativa viável para regularização de passivos acumulados, por meio de contrapartidas assistenciais, e não financeiras. Além de evitar ações administrativas e judiciais, a participação pode contribuir para uma melhora na imagem institucional das empresas, em um cenário onde a relação com os órgãos reguladores vem sendo cada vez mais tensionada.

No entanto, há desafios importantes. As operadoras precisarão garantir que a oferta de serviços aos pacientes do SUS não comprometa a qualidade e a disponibilidade de atendimento aos seus próprios beneficiários. A fiscalização da ANS será rigorosa, com possibilidade de aplicação de sanções em caso de desvio de finalidade ou priorização indevida.

Repercussão entre os hospitais e prestadores privados

A iniciativa também gera expectativas no setor hospitalar privado. Clínicas e hospitais que operam majoritariamente com planos de saúde poderão ampliar sua carteira de atendimentos por meio do SUS, o que tende a melhorar a ocupação da estrutura instalada e aumentar a previsibilidade de receita, especialmente em regiões onde a demanda da saúde suplementar vem caindo.

Por outro lado, o modelo de remuneração proposto pelo programa, baseado em pacotes assistenciais fechados, exigirá maior controle de custos e eficiência operacional, o que pode representar um obstáculo para instituições com baixa margem de gestão ou infraestrutura limitada.

Referências

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/julho/pacientes-do-sus-poderao-ser-atendidos-por-planos-de-saude-a-partir-de-agosto

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