
A digitalização no setor hospitalar e clínico não é mais somente um diferencial tecnológico. Ela se tornou o principal alicerce da sustentabilidade financeira e assistencial da saúde.
Mais que a simples substituição de documentos em papel por telas, a transformação digital na saúde envolve a reestruturação de processos por meio de prontuários eletrônicos do paciente, interoperabilidade, telemedicina e, mais recentemente, a integração de inteligência artificial (IA) no ciclo de receita.
Este artigo mostra como está o cenário da digitalização na saúde brasileira e o que falta para o setor atingir o próximo patamar de excelência tecnológica.
O que significa digitalização no setor hospitalar e clínico?
Muitas instituições ainda confundem digitalizar com simplesmente escanear documentos físicos. Na prática, a digitalização estratégica na saúde está centrada na estruturação e integração de dados, e não apenas na conversão de papel em arquivos digitais.
De acordo com os modelos de maturidade digital da Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS), o estágio mais avançado representa um ecossistema em que as informações clínicas e administrativas fluem de forma integrada e quase em tempo real.
No ambiente hospitalar e clínico moderno, essa digitalização se apoia em cinco pilares essenciais:
Sistemas de Gestão Integrados (HIS, LIS, RIS): o núcleo operacional que conecta processos assistenciais, administrativos e financeiros.
Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP): repositório central de dados clínicos estruturados, fundamentais para segurança, continuidade do cuidado e uso secundário da informação.
Interoperabilidade: capacidade de diferentes sistemas trocarem dados de forma padronizada e segura.
Telemedicina e jornada digital do paciente: ampliação do cuidado para além das paredes do hospital, integrando canais digitais ao modelo assistencial.
Analytics e inteligência artificial: camada analítica que transforma dados brutos em ações práticas, previsões e apoio inteligente às decisões.
Cenário da digitalização em saúde no Brasil
O Ministério da Saúde do Brasil estruturou a Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028, um plano nacional que orienta os esforços de digitalização no setor, com ênfase em interoperabilidade, integração de sistemas e uso de dados compartilhados.
Essa estratégia define sete prioridades que guiam a transformação digital da saúde no país, com impacto direto na forma como hospitais e clínicas gerenciam dados e serviços.
As prioridades incluem:
Governança e liderança para coordenar a implementação da saúde digital em todo o país.
Digitalização dos três níveis de atenção à saúde, estimulando a adoção de prontuários eletrônicos e sistemas de gestão hospitalar integrados.
Suporte à melhoria da atenção à saúde, com uso da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e serviços digitais como telemedicina.
O usuário como protagonista, promovendo engajamento dos pacientes com suas próprias informações de saúde.
Capacitação profissional em saúde digital, fortalecendo competências técnicas em tecnologia e dados.
Ambiente de interconectividade, permitindo que diferentes sistemas de saúde troquem informações de forma segura.
Ecossistema de inovação, que fomenta desenvolvimento tecnológico e soluções digitais para o setor.
No centro dessa estratégia está a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), uma plataforma nacional que promove a interoperabilidade dos dados clínicos e administrativos entre unidades de saúde públicas e privadas. Essa rede ajuda a estabelecer um ambiente de dados compartilhados que pode ser utilizado para melhorar a coordenação do cuidado e a tomada de decisões.
Essas diretrizes reforçam que a digitalização não é apenas mudança tecnológica isolada, mas um processo sistêmico de integração de pessoas, processos e infraestrutura de dados.
Digitalização e redução de custos na gestão hospitalar
O cenário brasileiro evidencia uma pressão crescente por redução de custos operacionais por meio da tecnologia digital.
Dados do Observatório Anahp 2025, da Associação Nacional de Hospitais Privados, mostram que o índice de glosa inicial gerencial (valores contestados pelas operadoras ainda na fase de negociação) aumentou de 11,89% em 2023 para 15,89% em 2024.
Esse crescimento sinaliza desperdícios ao longo do ciclo de receita e reforça a importância da automação e da digitalização dos processos administrativos como principais estratégias para minimizar perdas financeiras.
Os benefícios da digitalização, porém, não se limitam ao campo financeiro. O relatório também associa a adoção de protocolos digitais e ferramentas de suporte à decisão clínica a avanços consistentes na qualidade assistencial. Um dos indicadores mais expressivos é a queda da mortalidade operatória para 0,27%, um dos menores níveis da série histórica.
Essa evolução é corroborada pela percepção dos próprios gestores: 91,18% dos líderes hospitalares ouvidos na pesquisa afirmam que tecnologias de apoio clínico são fundamentais para ampliar a segurança do paciente.
Do ponto de vista da eficiência operacional, a digitalização tem sido decisiva em um ambiente de alta demanda. Com uma taxa média de ocupação hospitalar de 78,97%, a gestão orientada por dados permitiu reduzir o tempo médio de permanência para cerca de 4 dias, favorecendo o giro de leitos e o melhor aproveitamento dos recursos assistenciais.
Apesar desses avanços, o Observatório alerta para um desequilíbrio financeiro estrutural. Enquanto o prazo médio de recebimento das operadoras chega a 76,38 dias, os pagamentos a fornecedores vencem em períodos significativamente menores.
Esse descompasso evidencia a necessidade de sistemas integrados e inteligência de dados aplicada à gestão financeira, essenciais para garantir previsibilidade de caixa, sustentabilidade operacional e a própria sobrevivência das organizações de saúde.
Impacto da digitalização na prática clínica
Do ponto de vista assistencial, a digitalização melhora a qualidade e a segurança do cuidado ao permitir acesso rápido e estruturado às informações do paciente.
Prontuários eletrônicos reduzem falhas de comunicação, evitam duplicidade de exames e aumentam a rastreabilidade das decisões clínicas. Além disso, a integração entre sistemas permite uma visão longitudinal do paciente, essencial para o manejo de doenças crônicas e a coordenação do cuidado.
Outro impacto relevante é a expansão da telemedicina, que passou a integrar de forma definitiva a jornada do paciente. Consultas remotas, triagens digitais e acompanhamentos virtuais ampliam acesso, reduzem filas e otimizam o uso da capacidade assistencial.
Impacto da digitalização na gestão hospitalar
É na gestão que os efeitos da digitalização se tornam ainda mais evidentes. Processos administrativos historicamente manuais (agendamento, faturamento, auditoria e controle de indicadores) passam a ser automatizados e monitorados em tempo real. Hospitais que investem em digitalização conseguem reduzir retrabalho operacional, melhorar o controle financeiro, aumentar previsibilidade de receita e apoiar decisões estratégicas com dados confiáveis.
A digitalização também é fundamental para lidar com a complexidade crescente do setor, marcada por múltiplas fontes pagadoras, regras contratuais distintas e exigências regulatórias rigorosas. Sem dados estruturados e sistemas integrados, a gestão hospitalar se torna reativa; com a digitalização, passa a ser analítica, preventiva e estratégica.
Principais desafios da digitalização na saúde
Apesar dos avanços, a digitalização ainda enfrenta enormes desafios. Os mais citados em estudos e relatórios setoriais incluem:
baixa interoperabilidade entre sistemas heterogêneos;
resistência cultural e dificuldade de adoção pelas equipes;
necessidade de capacitação digital contínua;
preocupações com segurança e privacidade de dados.
Esses desafios reforçam que digitalizar significa conduzir uma transformação organizacional, com liderança, governança e foco em valor.
A visão Rivio
A digitalização é o primeiro passo para transformar dados em decisões e eficiência em sustentabilidade financeira. Ao estruturar e integrar informações clínicas e administrativas, hospitais criam a base necessária para aplicar inteligência artificial de forma prática, especialmente no ciclo da receita hospitalar.
A Rivio atua justamente nesse ponto, conectando dados digitais, automação e agentes de IA especializados para reduzir perdas, aumentar previsibilidade de receita e liberar equipes para atividades de maior valor. Digitalizar, nesse contexto, não é apenas modernizar sistemas. É viabilizar uma gestão hospitalar mais inteligente, humana e sustentável.



