Uso de IA em hospitais é informal em 91% dos casos

Uso de IA em hospitais é informal em 91% dos casos

Uso de IA em hospitais é informal em 91% dos casos

Pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box, em parceria com a Rivio, mostra que a utilização de inteligência artificial em hospitais ainda é pouco integrada aos processos formais de gestão das instituições

Felipe Schepers

Diretor de Operações do Instituto Opinion Box e professor do Centro Universitário Una, em Minas Gerais

5 de mar. de 2025

10 minutos

5 de mar. de 2025

10 minutos

Principais dados da pesquisa sobre uso de IA em hospitais

Pesquisa do Instituto Opinion Box de janeiro de 2026 reforça a necessidade de estruturar o uso de IA na gestão operacional dos hospitais. Confira os principais insights do estudo:

- Mais de 70% dos profissionais da saúde afirmam utilizar inteligência artificial em alguma medida no hospital, mas uso é pontual ou experimental.

- Avanço da inteligência artificial na medicina brasileira e disposição dos hospitais em usar IA ainda não se refletem oficialmente na gestão operacional das instituições.

- Apenas 9% dos profissionais de saúde consultados atuam em instituições que adotam IA de forma oficial; e 13% trabalham em hospitais em que a IA está integrada a demais processos.

- Falta de cultura e treinamento é considerada a principal causa da aplicação ainda informal de IA.

- 80% dos profissionais consultados têm interesse em usar IA de forma oficial no ambiente de trabalho.

- Somente 32% das instituições hospitalares usam IA na gestão de faturamento, segundo os entrevistados.

Adoção de ferramentas de IA em hospitais: o cenário atual

Apesar de disponibilizadas pelos hospitais e do alto interesse dos profissionais da saúde em ferramentas baseadas em inteligência artificial, apenas 9% atuam em instituições que adotam oficialmente essas tecnologias em seus processos de gestão. E somente 13% percebem o uso de forma integrada aos processos oficiais da instituições.

Os dados se destacam em levantamento produzido pelo Instituto Opinion Box, em parceria com a Rivio, e evidenciam um descompasso entre o potencial da IA e sua incorporação efetiva e estruturada no setor.

Esse "vácuo de implementação" é uma percepção mundial: um relatório divulgado pela Philips destaca que as lideranças de saúde agora focam em transparência e ética para que a IA seja aceita como parceira confiável nas decisões clínicas e administrativas.

A pesquisa da Opinion Box mostra que o desafio não é mais o acesso à tecnologia, mas sua integração estruturada aos processos críticos das instituições. Embora mais de 70% dos respondentes afirmem utilizar ferramentas de inteligência artificial em alguma medida, esse uso ainda ocorre em grande parte de forma experimental, pontual e sem integração.

Figura 1: Como os profissionais enxergam e descrevem o uso de IA na empresa

Cultura e falta de treinamento: as principais barreiras

Ao serem questionados, os funcionários que não usam IA em suas áreas de atuação acreditam que as principais barreiras para a adoção oficial das ferramentas estejam relacionadas a fatores culturais e falta de capacitação: 20% dos entrevistados creditam o uso informal à ausência de cultura organizacional, 18% ao desconhecimento das ferramentas e 15% à falta de capacitação ou treinamento das equipes. 

Essas barreiras humanas são validadas pelo Mapa da Maturidade Digital dos Hospitais da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Particulares), que registra apenas 49% de maturidade, sugerindo que a tecnologia avança mais rápido que a capacidade das instituições de preparar suas equipes. 

Somente 12% imaginam que o impeditivo é o custo. A questão, portanto, é de governança. Para os entrevistados da pesquisa Opinion Box, sem treinamento específico o uso de IA tende a ser pontual e incapaz de gerar mudanças efetivas.

Figura 2: Principal barreira para o uso de IA nas instituições, segundos os profissionais

Uso é mais comum no atendimento do que na gestão do hospital

O levantamento, que ouviu 349 profissionais do setor de saúde, hospitalar e bem-estar de todo o país, também mostra que a adoção de IA ainda se encontra, em grande parte, em fase inicial.

Entre as instituições que já utilizam a tecnologia, 47% direcionam seu uso para “atividades de linha de frente”, como agendamento de consultas, monitoramento de indicadores, atendimento 24 horas para dúvidas e gestão de filas. Mas somente 32% aplicam IA com foco em gestão.

Figura 3: 47% utilizam pelo menos uma das finalidades de linha de frente

Figura 4: 32% utilizam pelo menos uma das finalidades de gestão acima

Mudanças que poderiam afetar diretamente o caixa do hospital

Embora o tema da inteligência artificial seja indispensável, as equipes demonstrem alto interesse em adotá-la e as ferramentas estejam disponíveis, transformar o uso em um processo aplicável à realidade da gestão hospitalar ainda é um desafio, como mostra a pesquisa: apenas 17% adotam a tecnologia na área de faturamento, justamente um dos processos mais críticos para a sustentabilidade financeira das instituições. 

Segundo a Anahp, todo R$ 5,8 bilhões da receita dos hospitais são retidos pelas operadoras, que alegam erros administrativos, falhas de comunicação, preenchimento inadequado dos registros de atendimento e inconsistências na codificação de procedimentos, processos em que a inteligência artificial seria extremamente útil. 

“Existe uma grande oportunidade para a inteligência artificial gerar impacto real quando deixa de ser uma ferramenta isolada e passa a fazer parte dos processos críticos do hospital. Para isso, não basta disponibilizar tecnologia. É necessária uma mudança estrutural e de prioridade dentro da instituição, integrando profissionais da área assistencial e financeira (como enfermeiros, gestores e especialistas em faturamento) com engenheiros e especialistas em tecnologia para desenvolver soluções que façam sentido para a operação”, afirma Bruno Brasil, head de Operações da Rivio.

Figura 5: Satisfação com o dia a dia no trabalho em empresas que adotam e que não adotam IA

Por fim, chama a atenção o alto interesse no uso de IA. Seja no atendimento ao paciente, seja na gestão operacional, os profissionais entrevistados não têm dúvida de que as soluções de IA são essenciais para o avanço do setor de saúde.

Figura 6: Interesse dos profissionais em usar ferramentas de IA no trabalho

Figura 7: Principais insights da pesquisa

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Felipe Schepers é profissional das áreas do Marketing e da Administração, cofundador e diretor de Operações do Instituto Opinion Box e professor do Centro Universitário Una, em Minas Gerais

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dos hospitais eficientes

Rivio, a inteligência artificial dos hospitais eficientes