Uso de IA em hospitais é informal em 91% dos casos

Uso de IA em hospitais é informal em 91% dos casos

Uso de IA em hospitais é informal em 91% dos casos

Pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box, em parceria com a Rivio, mostra que a utilização de inteligência artificial em hospitais ainda é pouco integrada aos processos formais de gestão das instituições

Felipe Schepers

Diretor de Operações do Instituto Opinion Box e professor do Centro Universitário Una, em Minas Gerais

18 de mar. de 2026

10 minutos

18 de mar. de 2026

10 minutos

Principais dados da pesquisa sobre uso de IA em hospitais

Pesquisa do Instituto Opinion Box de janeiro de 2026 reforça a necessidade de estruturar o uso de IA na gestão operacional dos hospitais. Confira os principais insights do estudo:

- Mais de 70% dos profissionais da saúde afirmam utilizar inteligência artificial em alguma medida no hospital, mas uso é pontual ou experimental.

- Avanço da inteligência artificial na medicina brasileira e disposição dos hospitais em usar IA ainda não se refletem oficialmente na gestão operacional das instituições.

- Apenas 9% dos profissionais de saúde consultados atuam em instituições que adotam IA de forma oficial; e 13% trabalham em hospitais em que a IA está integrada a demais processos.

- Falta de cultura e treinamento é considerada a principal causa da aplicação ainda informal de IA.

- 80% dos profissionais consultados têm interesse em usar IA de forma oficial no ambiente de trabalho.

- Somente 32% das instituições hospitalares usam IA na gestão de faturamento, segundo os entrevistados.

Adoção de ferramentas de IA em hospitais: o cenário atual

Apesar de disponibilizadas pelos hospitais e do alto interesse dos profissionais da saúde em ferramentas baseadas em inteligência artificial, apenas 9% atuam em instituições que adotam oficialmente essas tecnologias em seus processos de gestão. E somente 13% percebem o uso de forma integrada aos processos oficiais da instituições.

Os dados se destacam em levantamento produzido pelo Instituto Opinion Box, em parceria com a Rivio, e evidenciam um descompasso entre o potencial da IA e sua incorporação efetiva e estruturada no setor.

Esse "vácuo de implementação" é uma percepção mundial: um relatório divulgado pela Philips destaca que as lideranças de saúde agora focam em transparência e ética para que a IA seja aceita como parceira confiável nas decisões clínicas e administrativas.

A pesquisa da Opinion Box mostra que o desafio não é mais o acesso à tecnologia, mas sua integração estruturada aos processos críticos das instituições. Embora mais de 70% dos respondentes afirmem utilizar ferramentas de inteligência artificial em alguma medida, esse uso ainda ocorre em grande parte de forma experimental, pontual e sem integração.

O jornal O Globo repercutiu a pesquisa e entrevistou o CTO Matheus Losi em reportagem de 18 de março de 2026.

Figura 1: Como os profissionais enxergam e descrevem o uso de IA na empresa

Cultura e falta de treinamento: as principais barreiras

Ao serem questionados, os funcionários que não usam IA em suas áreas de atuação acreditam que as principais barreiras para a adoção oficial das ferramentas estejam relacionadas a fatores culturais e falta de capacitação: 20% dos entrevistados creditam o uso informal à ausência de cultura organizacional, 18% ao desconhecimento das ferramentas e 15% à falta de capacitação ou treinamento das equipes. 

Essas barreiras humanas são validadas pelo Mapa da Maturidade Digital dos Hospitais da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Particulares), que registra apenas 49% de maturidade, sugerindo que a tecnologia avança mais rápido que a capacidade das instituições de preparar suas equipes. 

Somente 12% imaginam que o impeditivo é o custo. A questão, portanto, é de governança. Para os entrevistados da pesquisa Opinion Box, sem treinamento específico o uso de IA tende a ser pontual e incapaz de gerar mudanças efetivas.

Figura 2: Principal barreira para o uso de IA nas instituições, segundos os profissionais

Uso é mais comum no atendimento do que na gestão do hospital

O levantamento, que ouviu 349 profissionais do setor de saúde, hospitalar e bem-estar de todo o país, também mostra que a adoção de IA ainda se encontra, em grande parte, em fase inicial.

Entre as instituições que já utilizam a tecnologia, 47% direcionam seu uso para “atividades de linha de frente”, como agendamento de consultas, monitoramento de indicadores, atendimento 24 horas para dúvidas e gestão de filas. Mas somente 32% aplicam IA com foco em gestão.

Figura 3: 47% utilizam pelo menos uma das finalidades de linha de frente

Figura 4: 32% utilizam pelo menos uma das finalidades de gestão acima

Mudanças que poderiam afetar diretamente o caixa do hospital

Embora o tema da inteligência artificial seja indispensável, as equipes demonstrem alto interesse em adotá-la e as ferramentas estejam disponíveis, transformar o uso em um processo aplicável à realidade da gestão hospitalar ainda é um desafio, como mostra a pesquisa: apenas 17% adotam a tecnologia na área de faturamento, justamente um dos processos mais críticos para a sustentabilidade financeira das instituições. 

Segundo a Anahp, todo R$ 5,8 bilhões da receita dos hospitais são retidos pelas operadoras, que alegam erros administrativos, falhas de comunicação, preenchimento inadequado dos registros de atendimento e inconsistências na codificação de procedimentos, processos em que a inteligência artificial seria extremamente útil. 

“Existe uma grande oportunidade para a inteligência artificial gerar impacto real quando deixa de ser uma ferramenta isolada e passa a fazer parte dos processos críticos do hospital. Para isso, não basta disponibilizar tecnologia. É necessária uma mudança estrutural e de prioridade dentro da instituição, integrando profissionais da área assistencial e financeira (como enfermeiros, gestores e especialistas em faturamento) com engenheiros e especialistas em tecnologia para desenvolver soluções que façam sentido para a operação”, afirma Bruno Brasil, head de Operações da Rivio.

Figura 5: Satisfação com o dia a dia no trabalho em empresas que adotam e que não adotam IA

Por fim, chama a atenção o alto interesse no uso de IA. Seja no atendimento ao paciente, seja na gestão operacional, os profissionais entrevistados não têm dúvida de que as soluções de IA são essenciais para o avanço do setor de saúde.

Figura 6: Interesse dos profissionais em usar ferramentas de IA no trabalho

Figura 7: Principais insights da pesquisa

Para ler a pesquisa na íntegra, clique neste link.

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Felipe Schepers é profissional das áreas do Marketing e da Administração, cofundador e diretor de Operações do Instituto Opinion Box e professor do Centro Universitário Una, em Minas Gerais

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