
Principais aprendizados da HIMSS e do SXSW para a saúde
O Blog da Rivio falou com Rafael Elustondo e Gustavo Meirelles, que estiveram em dois grandes eventos mundiais de saúde, cultura e tecnologia em Las Vegas e Austin, respectivamente. Saiba quais são as lições aprendidas que eles trouxeram na bagagem
Business Development da Rivio, Rafael Elustondo esteve em Las Vegas de 9 a 12 de março de 2026 para acompanhar a HIMSS'26 (Healthcare Information and Management Systems Society), um dos maiores eventos globais de tecnologia e saúde. Ao lado de Amanda Rapouzo, executiva de Growth da Rivio, Rafael reforçou conexões com tendências internacionais e trouxe insights que vão contribuir com a atual fase de expansão da empresa.
Pós-graduado em Gestão Estratégica de Vendas pela Universidade Mackenzie, Rafael acumula 15 anos de experiência em business development, vendas e operações. Essa vivência lhe deu compreensão das dinâmicas de mercado e da importância de alinhar estratégia comercial com excelência operacional.
Logo na sequência do evento em Vegas, o médico Gustavo Meirelles, vice-presidente da Afya e advisor da Rivio, esteve em Austin de 12 a 18 de março para acompanhar o SXSW (South by Southwest), um dos maiores festivais mundiais de inovação, tecnologia, música, cinema e cultura.
Radiologista com residência, especialização e doutorado em Radiologia Torácica pela UNIFESP, Gustavo tem pós-doutorado em PET/CT pelo Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (Nova York) e MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Além da carreira acadêmica, também é professor, produtor de conteúdo e referência em saúde digital no Brasil.
No retorno de ambos ao Brasil, o Blog da Rivio reuniu as perspectivas dos dois em quatro perguntas paralelas, para que você possa comparar o que cada evento revelou sobre o futuro da saúde.
1. Quais os principais destaques que você viu no evento?
Rafael Elustondo (HIMSS, Las Vegas): O protagonismo da IA mudou de patamar. Saímos da especulação sobre o futuro para a demonstração de casos reais de uso. O grande destaque foi a aplicação da IA generativa para atacar o que é considerado custo administrativo da saúde: agentes de inteligência artificial atuando no backoffice e na gestão de ciclos operacionais, com resultados concretos na redução do burnout da equipe assistencial, o famoso "Pajama Time". Para a realidade da Rivio, isso valida nossa visão de que a tecnologia entrega ROI imediato, permitindo que a equipe assistencial foque no que é humano enquanto a máquina resolve a fricção burocrática.
Gustavo Meirelles (SXSW, Austin): Além da saúde física e mental, o evento trouxe com força o tema da "saúde social": a importância de cultivar conexões e interações humanas de qualidade. É preocupante observar o alto número de adolescentes e adultos em países do Hemisfério Norte que relatam solidão ou a ausência de amigos próximos. O cuidado com os vínculos humanos apareceu como uma das fronteiras mais urgentes da saúde contemporânea.
2. O que você encontrou de mais surpreendente, algo que ainda não estava no seu radar?
Rafael (HIMSS): O que mais me surpreendeu foi o diagnóstico do "Early Adoption" e o impacto da infraestrutura de dados. Ficou claro que quem arrumou a casa, com dados estruturados e interoperáveis, já atua em um nível de produtividade muito superior. Outra boa surpresa foi ver a IA sendo usada para antecipar gargalos de fluxo hospitalar antes que eles aconteçam. Isso reforça a ideia de que atuar junto aos hospitais nos processos não é apenas uma etapa preparatória: é o próprio diferencial competitivo para colher resultados mensuráveis agora, mesmo com o ROI global de IA ainda em fase de calibração.
Gustavo (SXSW): Percebi que muitas pessoas estão cansadas do excesso de tecnologias e de telas. Ouvi muito sobre a importância do "estar presente" e do que chamam de "mattering": sentir que você importa, que sua presença e suas ações têm valor e significado para outras pessoas. Outro ponto marcante foi um certo cansaço com o uso intensivo, e às vezes exagerado, de inteligência artificial. Uma autora chegou a rotular esse fenômeno como "A era da mesmice": a sensação de que, com IA em tudo, tudo começa a ficar parecido e homogeneizado. A IA chegou com força há dois ou três anos, mas já expondo esse tipo de reação, que pode atrapalhar seu melhor uso.
3. Em que status você acredita que está o tema da tecnologia como transformadora da gestão hospitalar?
Rafael (HIMSS): O tema atingiu um status de pragmatismo estratégico. Não se discute mais se a tecnologia vai transformar a gestão, mas como integrar a tecnologia sem romper a operação. Embora os cases americanos sejam muito pautados em autorizações e redução de glosas (RCM), a lógica de fundo é universal: uma dor sentida por diferentes sistemas de saúde. O Brasil, e especificamente soluções como as da Rivio, parecem estar no timing perfeito. A dor da ineficiência operacional e da falta de visibilidade de dados que vi na HIMSS'26 é exatamente o que estamos resolvendo aqui, com a vantagem de sermos a única solução que atua em todo o ciclo de faturamento dos hospitais.
Gustavo (SXSW): Embora o SXSW não seja focado em saúde, falou-se bastante de saúde mental, prevenção e do uso da inteligência artificial para melhorar processos nessa área. Como médico, fiquei entusiasmado com o que vi, li e ouvi sobre nossa área, especialmente com soluções que liberem os profissionais de saúde para o que realmente importa: o cuidado aos pacientes.
4. Fora das palestras, como você percebeu a visão dos demais participantes sobre os próximos três a cinco anos dos hospitais?
Rafael (HIMSS): O consenso nos corredores e nos bastidores foi o de uma "limpeza digital". Nos próximos cinco anos, haverá uma eliminação sistemática de tarefas manuais e repetitivas, mas com um desafio crítico: a tecnologia vai expor impiedosamente as deficiências de processos antigos. Ouvi muito que "IA em processo ruim apenas acelera o caos". A preocupação com a segurança de dados e a ética na IA também subiu de tom, indicando que a confiança na plataforma tecnológica é tão importante quanto a sua funcionalidade. Os hospitais que sairão mais saudáveis financeiramente serão aqueles que usarem a tecnologia para redesenhar sua jornada operacional.
Gustavo (SXSW): Voltei de Austin com a sensação de que a inteligência artificial terá cada vez mais espaço em tarefas como as que desempenhamos na Rivio: automatizando processos que tomam tempo dos profissionais de saúde ou geram desperdícios e falhas de atendimento. A IA veio para melhorar a vida das pessoas e das instituições, desde que aplicada em tarefas que dispensam a mão humana. Usada dessa forma, ela pode ser o melhor copiloto para que os profissionais de saúde exerçam suas atividades com mais tempo e qualidade.

Na HIMSS'26, Rafael entendeu como o protagonismo da IA na saúde vai muito em breve transformar a gestão hospitalar

No SXSW, Gustavo Meirelles reforçou a visão de que a IA não substitui o cuidado humano, mas pode nos ajudar a exercê-lo melhor
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Rafael Elustondo é executivo com 15 anos em business development, vendas e operações nos setores de saúde, farmácia e eventos. Com histórico consistente de crescimento de receita e parcerias estratégicas, atualmente lidera o Business Development da Rivio. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/rafaelustondo/
Gustavo Meirelles é vice-presidente médico da Afya, pós-doutor pelo Memorial Sloan-Kattering Cancer Center de Nova York, especialista em inovação em saúde, professor, produtor de conteúdo e referência em saúde digital no Brasil. Atua na Rivio como advisor.
Instagram: www.instagram.com/gmeirellesoficial/
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/gustavo-meirelles-9ab11311/



