
Como se estrutura o código da CBHPM
Conheça os fundamentos da Classificação Brasileira de Hierarquização de Procedimentos Médicos, que organiza o faturamento sob critérios de complexidade e tecnologia, essencial para o equilíbrio financeiro entre prestadores e operadoras
A CBHPM organiza mais de 4.000 procedimentos médicos em uma estrutura lógica de 8 caracteres. Para quem atua no faturamento hospitalar, saber ler esse código é condição básica para cobrar corretamente dos planos de saúde.
Um erro de um único dígito pode classificar o procedimento no grupo errado, no capítulo errado ou com porte diferente do realizado. Esse erro aparentemente banal gera glosas e prejudica a receita do hospital.
Este artigo explica o que cada posição do código representa e como navegar pelos capítulos e grupos da tabela.
O que é a CBHPM e por que ela ainda importa
A CBHPM, Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, é uma tabela de referência criada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB). Ela organiza os procedimentos médicos por critérios de complexidade clínica, tecnologia empregada e tempo de execução, atribuindo a cada um um porte específico que serve de base para a remuneração.
A tabela foi desenvolvida com suporte técnico da FIPE-SP, o que garantiu rigor metodológico na definição dos portes e na estrutura de códigos. Sua última edição publicada é a 6ª, que permanece como principal referência de mercado para negociações entre prestadores e operadoras de saúde suplementar.
Embora as operadoras usem tabelas próprias derivadas ou negociem percentuais sobre a CBHPM, a estrutura de codificação e a hierarquia de procedimentos da tabela continuam sendo o ponto de partida para o faturamento hospitalar de procedimentos médicos.
Como se estrutura o código da CBHPM: os 8 caracteres
O código de cada procedimento tem 8 caracteres. Cada posição carrega uma informação específica sobre a classificação do procedimento dentro da tabela. A lógica é: quanto mais à esquerda o caractere, mais amplo o nível de categorização.
Posição | Notação | Nível | O que representa |
1º | C | Capítulo | Tipo geral do procedimento |
2º e 3º | GG | Grupo | Sistema ou especialidade |
4º e 5º | PP | Subgrupo | Categoria dentro do grupo |
6º e 7º | SS | Serviço | Procedimento específico |
8º | D | Verificador | Dígito verificador |
Essa hierarquia permite localizar qualquer procedimento partindo do nível mais geral (o capítulo) até o mais específico (o serviço). Para o faturista, conhecer essa lógica facilita a busca, reduz o tempo de codificação e diminui a margem de erro.
Os 4 capítulos da CBHPM
O primeiro caractere do código define o capítulo, que é a maior divisão da tabela. A CBHPM tem 4 capítulos:
Código | Capítulo | O que inclui |
1 | Procedimentos gerais | Consultas, visitas, laudos e pequenos procedimentos ambulatoriais |
2 | Procedimentos clínicos | Procedimentos não cirúrgicos de diagnóstico e tratamento clínico |
3 | Procedimentos cirúrgicos e invasivos | Cirurgias, procedimentos hemodinâmicos, endoscopias invasivas |
4 | Procedimentos de diagnóstico e terapêutica | Exames de imagem, laboratoriais, radioterapia e outros diagnósticos |
Saber em qual capítulo um procedimento se encaixa é o primeiro passo para encontrá-lo na tabela. Errar o capítulo equivale a cobrar um procedimento cirúrgico como se fosse diagnóstico, por exemplo, o que pode gerar glosa ou subcobrança.
Como localizar um procedimento na prática
Para tornar a lógica concreta, veja como localizar o procedimento "Cateterismo cardíaco direito com estudo angiográfico de artéria pulmonar".
Passo 1: identificar o capítulo
O cateterismo cardíaco é um procedimento invasivo. O código começa com 3 (Procedimentos cirúrgicos e invasivos).
Passo 2: identificar o grupo e o subgrupo
Na tabela, o sistema cardiológico está no grupo 09. Dentro desse grupo, os procedimentos de hemodinâmica de diagnóstico compõem o subgrupo 11. Juntando: 3.09.11.
Passo 3: localizar o serviço específico
Com o código parcial 3.09.11 em mãos, a busca dentro da tabela fica restrita a um conjunto pequeno de procedimentos. O cateterismo cardíaco direito com angiografia pulmonar aparece com o código completo, incluindo o dígito verificador ao final.
Essa sequência de busca, capítulo, grupo, subgrupo, serviço, é o caminho mais eficiente para codificar corretamente e evitar a escolha de um procedimento similar mas com porte diferente.
Erros de codificação e impacto no faturamento
Codificar errado na CBHPM gera dois tipos de problema no faturamento. O primeiro é a glosa técnica, quando o código não corresponde ao procedimento descrito no prontuário ou na guia. O segundo é a subcobrança: o hospital cobra um código com porte menor que o procedimento realizado e perde receita sem que a operadora precise glosar nada.
Os erros mais comuns no dia a dia do faturamento envolvem:
Confusão entre os capítulos 3 e 4 em procedimentos minimamente invasivos com componente diagnóstico.
Escolha de subgrupo incorreto em especialidades com muitos procedimentos similares, como cardiologia e ortopedia.
Uso de edições desatualizadas da tabela, sem considerar as atualizações de código lançadas pela AMB.
Além disso, procedimentos realizados em conjunto seguem regras específicas de incidência e redução de porte. Usar o código certo, mas desconsiderar as regras de cobrança de múltiplos procedimentos, também resulta em glosa ou pagamento parcial.
Para o gestor de faturamento, manter a equipe atualizada sobre a estrutura da CBHPM e os critérios de codificação de cada especialidade é parte direta da proteção da receita hospitalar.
Como a Rivio protege a receita do hospital
A codificação correta dos procedimentos é uma das etapas críticas do ciclo de receita. Um hospital que cobra sistematicamente com o código errado, ou com porte abaixo do realizado, acumula perdas invisíveis ao longo do ano que dificilmente aparecem nos relatórios financeiros tradicionais.
A Rivio usa inteligência artificial para auditar a codificação dos procedimentos antes do envio das guias às operadoras. O sistema identifica inconsistências entre o que foi documentado no prontuário e o código faturado, sinaliza regras de incidência ignoradas e reduz a taxa de glosa técnica. O resultado é mais receita efetivamente recebida, sem aumentar a equipe de faturamento.
FAQ - perguntas frequentes sobre os códigos da CBHPM
O que significa cada número no código da CBHPM?
O código tem 8 caracteres. O primeiro define o capítulo (tipo geral do procedimento). Os dois seguintes indicam o grupo (sistema ou especialidade). Os dois depois definem o subgrupo, os dois seguintes indicam o serviço específico, e o último é o dígito verificador.
Quais são os capítulos da CBHPM?
A tabela tem 4 capítulos: procedimentos gerais (1), procedimentos clínicos (2), procedimentos cirúrgicos e invasivos (3) e procedimentos de diagnóstico e terapêutica (4). O capítulo correto é sempre o ponto de partida para localizar qualquer procedimento.
Usar o código errado na CBHPM causa glosa?
Sim. A operadora pode recusar o pagamento quando o código faturado não corresponde ao procedimento descrito na documentação. Além disso, o hospital pode cobrar um porte inferior ao correto e perder receita sem que haja glosa formal.
A CBHPM é obrigatória para todas as operadoras?
A CBHPM é a tabela de referência do mercado, mas as operadoras podem negociar percentuais próprios sobre ela ou usar tabelas derivadas. O que não muda é a estrutura de códigos, que serve de base para identificar e classificar os procedimentos em qualquer contrato.



