Como se estrutura o código da CBHPM

Como se estrutura o código da CBHPM

Como se estrutura o código da CBHPM

Conheça os fundamentos da Classificação Brasileira de Hierarquização de Procedimentos Médicos, que organiza o faturamento sob critérios de complexidade e tecnologia, essencial para o equilíbrio financeiro entre prestadores e operadoras

Rivio

Redação

31 de mar. de 2026

5 minutos

31 de mar. de 2026

5 minutos

A CBHPM organiza mais de 4.000 procedimentos médicos em uma estrutura lógica de 8 caracteres. Para quem atua no faturamento hospitalar, saber ler esse código é condição básica para cobrar corretamente dos planos de saúde.

Um erro de um único dígito pode classificar o procedimento no grupo errado, no capítulo errado ou com porte diferente do realizado. Esse erro aparentemente banal gera glosas e prejudica a receita do hospital.

Este artigo explica o que cada posição do código representa e como navegar pelos capítulos e grupos da tabela. 

O que é a CBHPM e por que ela ainda importa

A CBHPM, Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, é uma tabela de referência criada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB). Ela organiza os procedimentos médicos por critérios de complexidade clínica, tecnologia empregada e tempo de execução, atribuindo a cada um um porte específico que serve de base para a remuneração.

A tabela foi desenvolvida com suporte técnico da FIPE-SP, o que garantiu rigor metodológico na definição dos portes e na estrutura de códigos. Sua última edição publicada é a 6ª, que permanece como principal referência de mercado para negociações entre prestadores e operadoras de saúde suplementar.

Embora as operadoras usem tabelas próprias derivadas ou negociem percentuais sobre a CBHPM, a estrutura de codificação e a hierarquia de procedimentos da tabela continuam sendo o ponto de partida para o faturamento hospitalar de procedimentos médicos. 

Como se estrutura o código da CBHPM: os 8 caracteres

O código de cada procedimento tem 8 caracteres. Cada posição carrega uma informação específica sobre a classificação do procedimento dentro da tabela. A lógica é: quanto mais à esquerda o caractere, mais amplo o nível de categorização. 

Posição

Notação

Nível

O que representa

C

Capítulo

Tipo geral do procedimento

2º e 3º

GG

Grupo

Sistema ou especialidade

4º e 5º

PP

Subgrupo

Categoria dentro do grupo

6º e 7º

SS

Serviço

Procedimento específico

D

Verificador

Dígito verificador

Essa hierarquia permite localizar qualquer procedimento partindo do nível mais geral (o capítulo) até o mais específico (o serviço). Para o faturista, conhecer essa lógica facilita a busca, reduz o tempo de codificação e diminui a margem de erro. 

Os 4 capítulos da CBHPM

O primeiro caractere do código define o capítulo, que é a maior divisão da tabela. A CBHPM tem 4 capítulos: 

Código

Capítulo

O que inclui

1

Procedimentos gerais

Consultas, visitas, laudos e pequenos procedimentos ambulatoriais

2

Procedimentos clínicos

Procedimentos não cirúrgicos de diagnóstico e tratamento clínico

3

Procedimentos cirúrgicos e invasivos

Cirurgias, procedimentos hemodinâmicos, endoscopias invasivas

4

Procedimentos de diagnóstico e terapêutica

Exames de imagem, laboratoriais, radioterapia e outros diagnósticos

Saber em qual capítulo um procedimento se encaixa é o primeiro passo para encontrá-lo na tabela. Errar o capítulo equivale a cobrar um procedimento cirúrgico como se fosse diagnóstico, por exemplo, o que pode gerar glosa ou subcobrança. 

Como localizar um procedimento na prática

Para tornar a lógica concreta, veja como localizar o procedimento "Cateterismo cardíaco direito com estudo angiográfico de artéria pulmonar".

Passo 1: identificar o capítulo

O cateterismo cardíaco é um procedimento invasivo. O código começa com 3 (Procedimentos cirúrgicos e invasivos).

Passo 2: identificar o grupo e o subgrupo

Na tabela, o sistema cardiológico está no grupo 09. Dentro desse grupo, os procedimentos de hemodinâmica de diagnóstico compõem o subgrupo 11. Juntando: 3.09.11.

Passo 3: localizar o serviço específico

Com o código parcial 3.09.11 em mãos, a busca dentro da tabela fica restrita a um conjunto pequeno de procedimentos. O cateterismo cardíaco direito com angiografia pulmonar aparece com o código completo, incluindo o dígito verificador ao final.

Essa sequência de busca, capítulo, grupo, subgrupo, serviço, é o caminho mais eficiente para codificar corretamente e evitar a escolha de um procedimento similar mas com porte diferente. 

Erros de codificação e impacto no faturamento

Codificar errado na CBHPM gera dois tipos de problema no faturamento. O primeiro é a glosa técnica, quando o código não corresponde ao procedimento descrito no prontuário ou na guia. O segundo é a subcobrança: o hospital cobra um código com porte menor que o procedimento realizado e perde receita sem que a operadora precise glosar nada.

Os erros mais comuns no dia a dia do faturamento envolvem:

  • Confusão entre os capítulos 3 e 4 em procedimentos minimamente invasivos com componente diagnóstico.

  • Escolha de subgrupo incorreto em especialidades com muitos procedimentos similares, como cardiologia e ortopedia.

  • Uso de edições desatualizadas da tabela, sem considerar as atualizações de código lançadas pela AMB. 

Além disso, procedimentos realizados em conjunto seguem regras específicas de incidência e redução de porte. Usar o código certo, mas desconsiderar as regras de cobrança de múltiplos procedimentos, também resulta em glosa ou pagamento parcial.

Para o gestor de faturamento, manter a equipe atualizada sobre a estrutura da CBHPM e os critérios de codificação de cada especialidade é parte direta da proteção da receita hospitalar. 

Como a Rivio protege a receita do hospital

A codificação correta dos procedimentos é uma das etapas críticas do ciclo de receita. Um hospital que cobra sistematicamente com o código errado, ou com porte abaixo do realizado, acumula perdas invisíveis ao longo do ano que dificilmente aparecem nos relatórios financeiros tradicionais.

A Rivio usa inteligência artificial para auditar a codificação dos procedimentos antes do envio das guias às operadoras. O sistema identifica inconsistências entre o que foi documentado no prontuário e o código faturado, sinaliza regras de incidência ignoradas e reduz a taxa de glosa técnica. O resultado é mais receita efetivamente recebida, sem aumentar a equipe de faturamento. 

FAQ - perguntas frequentes sobre os códigos da CBHPM

O que significa cada número no código da CBHPM?

O código tem 8 caracteres. O primeiro define o capítulo (tipo geral do procedimento). Os dois seguintes indicam o grupo (sistema ou especialidade). Os dois depois definem o subgrupo, os dois seguintes indicam o serviço específico, e o último é o dígito verificador.

Quais são os capítulos da CBHPM?

A tabela tem 4 capítulos: procedimentos gerais (1), procedimentos clínicos (2), procedimentos cirúrgicos e invasivos (3) e procedimentos de diagnóstico e terapêutica (4). O capítulo correto é sempre o ponto de partida para localizar qualquer procedimento.

Usar o código errado na CBHPM causa glosa?

Sim. A operadora pode recusar o pagamento quando o código faturado não corresponde ao procedimento descrito na documentação. Além disso, o hospital pode cobrar um porte inferior ao correto e perder receita sem que haja glosa formal.

A CBHPM é obrigatória para todas as operadoras?

A CBHPM é a tabela de referência do mercado, mas as operadoras podem negociar percentuais próprios sobre ela ou usar tabelas derivadas. O que não muda é a estrutura de códigos, que serve de base para identificar e classificar os procedimentos em qualquer contrato.

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