
Em um hospital, a indisponibilidade de um insumo crítico pode comprometer um tratamento, atrasar um procedimento ou colocar o paciente em risco. É por isso que a logística hospitalar precisa operar com o mesmo nível de precisão exigido da assistência clínica.
Nesse contexto, a DRP (Distribution Requirements Planning) hospitalar é o método que organiza, antecipa e garante o fluxo correto de materiais dentro da operação assistencial.
Para além de controlar o estoque, essa abordagem estratégica atua no planejamento de toda a distribuição dos itens. Define quais, em quais quantidades, para quais unidades e em que momento eles devem ser movimentados dentro do hospital ou da rede de saúde.
O que é DRP hospitalar na prática?
Antes de tudo, é importante ressaltar que a sigla DRP pode se referir a outros conceitos da área da saúde, como Drug Related-Problem (problema relacionados a drogas) e doença renal policística, ambas sem relação com gestão hospitalar.
Distribution Requirements Planning (ou Planejamento de Requisitos de Distribuição) é uma metodologia originalmente desenvolvida para a indústria, mas que foi adaptada à saúde para lidar com a complexidade da assistência. Enquanto no varejo a DRP responde ao mercado consumidor, no hospital ele responde à demanda assistencial.
Na prática, a DRP hospitalar cruza dados como:
consumo histórico por unidade assistencial;
giro de estoque por item;
lead time (tempo necessário de entrega) dos fornecedores;
agenda cirúrgica e perfil de procedimentos;
taxa de ocupação e sazonalidade de doenças.
Com base nessas variáveis, o sistema antecipa necessidades futuras, evitando tanto a ruptura quanto o excesso de estoque.
O que caracteriza a DRP no ambiente hospitalar?
Foco na demanda clínica, não apenas no consumo
Diferentemente de outros setores, a demanda hospitalar é influenciada por fatores clínicos e epidemiológicos. Um aumento de cirurgias ortopédicas, por exemplo, impacta diretamente a necessidade de próteses, materiais de síntese e medicamentos específicos. A DRP precisa antecipar esse cenário.
Operação com múltiplos pontos de distribuição
Hospitais operam com:
almoxarifado central;
farmácias satélites;
centros cirúrgicos;
UTIs e unidades de internação.
A DRP organiza a distribuição interna para garantir que cada ponto receba apenas o necessário para o consumo previsto, sem inflar estoques descentralizados.
Gestão de itens críticos e validade curta
Medicamentos de alto custo, materiais consignados e insumos com validade reduzida exigem planejamento rigoroso. A DRP permite controlar fluxo, lotes e prazos, reduzindo perdas por vencimento.
Como a DRP hospitalar é estruturado?
O planejamento de distribuição se apoia em três pilares:
Planejamento baseado em necessidade e demanda
A DRP projeta reposições antes que o estoque atinja níveis críticos. Em vez de reagir à falta, antecipa o risco.
Isso ocorre a partir do cruzamento de histórico de consumo, agenda assistencial e previsões operacionais.
Exemplo: se a taxa de ocupação da UTI aumenta e há previsão de surtos respiratórios, a DRP ajusta automaticamente a distribuição de medicamentos, dispositivos e materiais correlatos.
Eficiência no fluxo de distribuição
O objetivo da DRP não é apenas garantir disponibilidade, mas otimizar o fluxo.
Isso significa:
reduzir estoque parado nas unidades;
centralizar volumes estratégicos;
definir frequências ideais de abastecimento interno.
O resultado é menos capital imobilizado e maior previsibilidade logística.
Segurança e continuidade do cuidado
No hospital, logística é segurança do paciente. Uma DRP bem estruturado:
emite alertas de risco de ruptura;
prioriza itens de suporte à vida;
reduz compras emergenciais, que são mais caras e menos seguras.
Quando o abastecimento falha, o impacto é direto na assistência, e a DRP existe para evitar esse cenário.
DRP, ERP e gestão de materiais: qual a diferença?
Esses nomes têm relação entre si, mas se referem a papéis distintos:
ERP: sistema de gestão que registra e integra dados de todas as áreas (financeiro, compras, RH, prontuário).
Gestão de materiais: conjunto de processos operacionais de controle de estoque, compras e recebimento.
DRP: inteligência de planejamento que decide quando, quanto e para onde os itens devem ser distribuídos.
Em resumo:
ERP registra o que aconteceu; DRP planeja o que precisa acontecer a fim de que a operação não pare.
Por que a DRP é estratégica para a gestão hospitalar?
Os custos com suprimentos podem representar até 30% das despesas operacionais de um hospital. Uma DRP bem implementada gera impactos diretos:
Redução de perdas por vencimento e obsolescência.
Melhor uso do capital de giro, com estoques mais enxutos.
Menos compras emergenciais, que elevam custos e riscos.
Maior previsibilidade assistencial, com continuidade do cuidado.
A DRP ajuda a manter a segurança clínica e a sustentabilidade financeira de um hospital.
A visão Rivio
Gerenciar manualmente as necessidades de distribuição em hospitais complexos é um processo sujeito a falhas, atrasos e decisões reativas. A Rivio utiliza inteligência artificial aplicada à logística hospitalar para chegar aos mesmos objetivos da DRP: eficiência logística, sustentabilidade financeira e segurança do paciente.
Nossas soluções analisam padrões complexos de consumo, comportamento assistencial e variáveis operacionais para prever demandas com maior precisão, conectando o planejamento logístico diretamente à realidade do leito e do cuidado.



